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Pinheirinho tem 2.º 'dia de guerra' com novos conflitos e carros queimados

Duas padarias e uma biblioteca também foram incendiados; manifestantes invadiram casas de moradores perto

William Cardoso e João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 23h11

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - Bombas de gás, balas de borracha, veículos e imóveis incendiados foram o resultado do clima de guerra que se instalou na segunda-feira nos bairros vizinhos da comunidade do Pinheirinho, na zona sul de São José dos Campos, um dia após a reintegração de posse determinada pela Justiça. A circulação de ônibus foi interrompida e o comércio fechou as portas, um feriado forçado e tenso para quem vive no local.

Desde o início da operação que tirou cerca de 1,5 mil famílias (6 mil pessoas) de uma área ocupada de 1,3 milhão de metros quadrados, 30 pessoas foram detidas pela Polícia Militar. Em um dos casos, dez pessoas foram presas depois de ocupar à força a residência de um casal de idosos.

"Segundo a PM, o comando do crime em São José dos Campos ficava dentro do Pinheirinho. Não são moradores que estão fazendo o vandalismo", afirmou o prefeito da cidade, Eduardo Cury (PSDB). Ele ressaltou que os confrontos se concentram nos arredores da área anteriormente ocupada. "Não há uma situação de guerra na cidade."

Distante pouco menos de um quilômetro do Pinheirinho, a Biblioteca Comunitária Jansen Filho foi incendiada três vezes. Na frente da biblioteca, um caminhão da Fundação Hélio Augusto de Souza (Fundhas) foi o décimo veículo queimado no bairro desde anteontem.

Duas padarias também foram incendiadas. A polícia apreendeu três adolescentes responsáveis por um dos ataques. Com eles, foram encontrados cigarros e bebidas. Em outro caso, um rapaz foi abordado portando um coquetel molotov ao lado de um depósito de gás.

Nas proximidades do quartel-general improvisado pela PM, na Avenida dos Evangélicos, os policiais reprimiram duas manifestações violentas, uma às 10h30 e outra às 19h. O asfalto ficou forrado de cápsulas de balas de borracha. Para o coronel Manoel Messias Melo, a resposta da PM tem sido adequada. "Utilizamos armas não letais e a força empregada foi a necessária para conter os ânimos."

No domingo, o secretário nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, foi atingido por uma bala de borracha enquanto participava das negociações com os moradores na região.

A polícia nega que a ação tenha deixado feridos graves. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local diz que tem encontrado dificuldade de acesso para confirmar o que de fato aconteceu.

As Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e a Força Tática da PM fazem o patrulhamento da região e não há previsão de quando o efetivo será retirado do bairro.

Rotina abalada. Moradores reclamam do clima de insegurança provocado pelos vândalos, e da rotina alterada nos bairros ao redor do Pinheirinho. "A gente não tem mais nem onde comprar um pão", afirmou a estagiária Erica Cristina Cruz da Silva, de 25 anos. A auxiliar de serviços gerais Ana Rosa Oliveira Pereira, de 52, não conseguiu chegar ao serviço ontem, por falta de ônibus. "Trabalho no centro e não consegui chegar. Vou ter R$ 70 descontados no pagamento."

Muitos comerciantes não abriram suas lojas. "Deixei tudo fechado para ajudar as pessoas que não têm para onde ir", afirmou a comerciante Vera Lúcia Barbosa, de 56 anos, que transformou sua lanchonete em abrigo para conhecidos que moravam na área invadida.

Na segunda, a PM deu apoio também para a remoção dos bens que ficaram nas casas do Pinheirinho. Moradores reclamam da demora para ter acesso aos seus pertences. Segundo a prefeitura, cem famílias retiraram seus móveis da área invadida. O trabalho deve demorar pelo menos mais um dia.

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