Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Pimenta é transferido para Tremembé

Jornalista cumprirá pena pelo assassinato de Sandra Gomide no interior; nas primeiras horas na cadeia, não dormiu e recusou café da manhã

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2011 | 00h00

O jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, de 74 anos, passou a primeira noite após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter determinado sua prisão sozinho em uma cela de 5 m², com colchonetes e um vaso sanitário, no 2.º DP, no Bom Retiro, região central de São Paulo. À tarde, foi transferido para a Penitenciária de Tremembé, no interior, onde começou a cumprir a pena de 15 anos por ter assassinado Sandra Gomide em 2000.

Pimenta Neves não fez nenhum pedido aos policiais que o acompanharam na carceragem durante a noite. Segundo eles, não conseguiu dormir e andou de um lado para outro na cela. Quando tentou cochilar, usou um rolo de papel higiênico como travesseiro. Pela manhã, recusou o café com leite e pão com manteiga oferecidos na cadeia.

O delegado titular do 2.º DP, José Carlos de Melo foi até a carceragem para saber o estado de ânimo de Pimenta Neves. "Ele disse que, até pelas circunstâncias, estava bem. Ele me pareceu resignado, relativamente tranquilo e equilibrado", afirmou.

A advogada de Pimenta Neves, Maria José da Costa Ferreira, disse que seu cliente reclamou das "péssimas" condições de higiene do local. Por esse motivo, disse, ele não quis alimentar-se. O titular do 2.º DP afirmou que as queixas são infundadas e a cela onde Pimenta Neves permaneceu por cerca de 15 horas estava limpa. Melo também rebateu acusações de que o jornalista teria tratamento especial. "É uma situação normal para uma cadeia. Perguntei para ele se estava recebendo alguma regalia. Ele apontou para um rolo de papel higiênico e disse "o senhor pode ver pelo meu travesseiro"."

Saída. Pimenta deixou a delegacia rumo a Tremembé por volta das 12h30. Vestindo o mesmo cardigã de lã de quando se entregou, o jornalista viajou sem algemas no banco traseiro da viatura, não no "chiqueirinho". As cerca de 50 pessoas que estavam na porta da delegacia xingaram o jornalista de "assassino" e parte teve de ser contida por PMs.

O jornalista chegou a Tremembé por volta das 15h30. Segundo o delegado Márcio Bicudo Tosatti, da Divisão de Capturas, que escoltou Pimenta Neves até Tremembé, ele seguiu para o Pavilhão 2, onde deve ficar em uma cela de 16 m², com outros quatro presos, todos em beliches. Há uma TV no local e o banho é frio. O jornalista ficará em regime de observação de 10 a 15 dias. Nesse período, não poderá receber visitas e falará com a sua advogada só com autorização judicial. / COLABOROU JOÃO CARLOS DE FARIA

PARA LEMBRAR

Prisão abriga detentos "famosos"

A Penitenciária Doutor José Augusto Salgado, a P2 de Tremembé, tem 239 vagas, mas, segundo o site da Secretaria de Administração Penitenciária, abriga 322 presos. É conhecido por receber presos de casos de repercussão, como o médico Roger Abdelmassih (foragido).

Estão lá os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, condenados pela participação, ao lado de Suzane von Richthofen, da morte dos pais dela; Lindemberg Alves, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel; o cabo Bruno, de grupos de extermínio; e Alexandre Nardoni, condenado pela morte da filha, Isabella.

Outros presos foram Law Kin Chong, acusado de contrabando, Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, o juiz João Carlos da Rocha Mattos e o atirador Mateus da Costa Meira.

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