Pilotos e técnicos da Infraero depõem e criticam a pista

Dois comandantes que pilotaram o mesmo A320 dias antes do desastre afirmam que avião estava em ordem

José Dacauaziliquá, Jornal da Tarde

24 de julho de 2007 | 23h46

Os pilotos da TAM José Eduardo Batalha Brosco e Paulo Marcelo Souza Soares - que voaram com o mesmo Airbus A320 dois dias antes da tragédia - prestaram depoimento na tarde desta terça-feira, 24, no 27º DP (Campo Belo). Eles relataram que apesar do defeito no reverso número 2, a aeronave estava em perfeitas condições de vôo e também fizeram duras críticas à pista do Aeroporto de Congonhas.   Veja também:  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054   Pela manhã, dois técnicos da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) que "examinaram" a pista principal de Congonhas horas antes do acidente prestaram depoimento. Os coordenadores de prevenção em emergência Esdras Barros e Agnaldo Molina contaram que apesar de molhada, a pista não apresentava poças de água. Informado isso à torre, ela foi liberada para pousos e decolagens.   Sobre os próximos passos da investigação, o delegado-titular Antonio Carlos Menezes Barbosa contou que pediu às autoridades da Aeronáutica os registros de todas as ocorrências registradas em Congonhas na data da tragédia e nos dias anteriores ao acidente.   "Entramos em contato com o Rio Grande do Sul e pedimos as vídeo do check-in dos passageiros do vôo (JJ-3054)para ajudar na identificação dos passageiros, comparando as imagens com roupas e objetos encontrados nos escombros", disse Barbosa.   TAM x Infraero   Em seu depoimento, Brosco contou que pilotou o Airbus A320 na véspera da tragédia. Ele disse que tinha previsão de pouso às 13h20 em Congonhas, mas foi cancelado por conta da derrapagem da aeronave da empresa Pantanal motivada pela chuva, que obrigou o fechamento da pista. Depois de 45 minutos, recebeu nova liberação.   Segundo Brosco, os freios automáticos foram desligados e entrou em uso o sistema mecânico porque a desaceleração se mantinha insuficiente para o avião parar na pista. Relatou, inclusive, que ele e o co-piloto "ficaram muito tensos, pois a sensação era de que a aeronave não pararia a tempo". E terminou dizendo que "a pista (de Congonhas) não é confiável".   Seu colega, o piloto Soares, utilizou o mesmo Airbus no domingo (15) anterior ao acidente, mas não passou por Congonhas. Ele contou que durante as escalas que realizou, mesmo com um reverso travado, os pousos foram tranqüilos.   A exemplo de Brosco, elogiou o avião e criticou a pista do aeroporto. E acrescentou que antes da reforma, a pista ficava escorregadia em dias de chuva e que depois a situação piorou, pois o atrito entre os pneus e a pista ficou muito reduzido. "Em razão disso, ela (a pista) fica escorregadia, com o grooving (ranhuras) nós (pilotos) não percebemos esse fenômeno".   O promotor de Justiça Mário Luiz Sarrubo, que acompanhou os depoimentos, contou que os técnicos da Infraero inspecionaram às 17h10 (uma hora e meia antes da tragédia) depois do relato da tripulação da Gol que apontou que a pista estava escorregadia.   Os funcionários da Infraero "dividiram" a pista principal de Congonhas (1.940 m) em quatro para que fosse realizada a análise. "Eles percorreram em 15 minutos a pista e fizeram um inspeção visual.Passaram para a torre de controle que não havia lâmina e nem poça de água", disse o promotor. Se há poça na pista, os técnicos têm de usar uma régua para medir a profundidade. "A pista foi liberada em seguida. Entre o ‘exame’ da pista e o acidente ocorreram 40 pousos e decolagens", disse Sarrubo.

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