Piloto teria mais chance de pouso em pista mais longa

Especialistas em segurança de vôo afirmam também que reverso não pode ser a principal causa do acidente

Solange Spigliatti, estadao.com.br

20 de julho de 2007 | 11h28

Para especialistas, a tragédia do Vôo 3054 não teria acontecido caso o Airbus da TAM tivesse pousando em Cumbica. Segundo o perito aposentado do Departamento de Segurança de Vôo, Roberto Peterka, mesmo com problemas no reverso, a aeronave teria pousado tranqüilamente. "Por ser a pista maior, o piloto não precisaria ter que arremeter, se realmente foi isso que ele fez, e teria espaço maior para a desaceleração", explica.   Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054  De acordo com Peterka, o fato de Congonhas ter uma pista menor não significa uma causa direta para o acidente. "Isso não quer dizer que o aeroporto de Congonhas teve influência decisiva no acidente", conclui. O especialista também afirma que o reverso, apontado como possível causa, não pode ser considerado o vilão do acidente. "O reverso é um instrumento auxiliar na hora de frear o avião, mas não é considerado fator importante para o pouso, portanto, mesmo não funcionando, ele poderia ter brecado a aeronave sem problemas", diz. Na opinião de Jorge Barros, formado em prevenção de acidentes aéreos, não é o principal fator da causa do acidente. "O reverso é apenas a ponta do iceberg, não adianta atribuir a causa mais importante ao reverso. Apenas um conjunto de situações, como a falta do reverso e uma pista curta e molhada poderiam ter causado o acidente", segundo Barros. "Acredito que o piloto demorou demais para tomar a decisão de arremeter", diz. Quanto à opção do piloto em pousar em outro aeroporto, Barros responde: "quanto mais pista melhor, e em Cumbica a pista tem estas condições. O piloto também teria a opção de pousar em Campinas", analisa. Um dia antes do acidente, na segunda-feira, 16, o avião também teria apresentado problemas ao aterrissar em Congonhas, durante o vôo 3215, procedente de Belo Horizonte (Confins), só conseguindo parar muito próximo do final da pista. O piloto teria relatado à torre de controle que a pista estava muito escorregadia. 

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