Piloto preso em operação da PF é instrutor de aeroclube

Milton Helfenstens, preso por ligação ao narcotráfico, é visto pelos colegas e parentes como 'muito correto'

José Maria Tomazela, do Estadão,

21 de agosto de 2007 | 20h36

O piloto Milton Helfenstens, preso na segunda-feira, 20, em São Roque, pela Polícia Federal durante a Operação São Francisco, de combate ao narcotráfico, trabalhava como instrutor de vôo no Aeroclube de São Paulo. Helfenstens, mais conhecido como Ralf, é considerado um piloto experiente e, segundo um colega, "muito correto". Em São Roque, onde o piloto mora com a família, seu suposto envolvimento com a quadrilha do megatraficante Juan Carlos Ramirez Abadia causou surpresa. Tanto ele como os familiares são muito conhecidos na cidade. A família mora no centro e a mulher de Helfenstens possui uma loja de roupas. Nesta terça, por telefone, ela disse que seu marido é inocente. "Estamos todos abalados, não é uma coisa justa." Segundo a mulher, que pediu para que seu nome não fosse divulgado, os policiais que levaram o piloto não deram nenhuma explicação. "Ele andava tão certo com as coisas que não passava nem em sinal amarelo (no trânsito)." Contou que, além de trabalhar como instrutor no aeroclube de São Paulo, Ralf fazia vôos como freelancer. Ela negou que fosse seu marido quem pilotava o avião do megatraficante Juan Carlos Ramireza Abadia, que caiu após a decolagem, em Curitiba, em 2005. "De onde tiraram isso?" De acordo com a mulher, um advogado iria tentar a libertação de Helfenstens, que até a tarde desta terça continuava preso na sede da PF em São Paulo. O delegado Fernando Bonsack, da PF de Sorocaba, que participou da operação, disse que a ordem para a prisão do piloto foi dada pela justiça. Segundo ele, a PF apresentou "elementos de convicção" para o juiz. "Há suspeita de envolvimento dele com a organização criminosa, mas as investigações é que vão comprovar ou não." Ele confirmou que a ação foi um desdobramento da prisão do grupo liderado pelo traficante colombiano Gustavo Duran Bautista, sábado, no Uruguai, com 485 quilos de cocaína. "As investigações continuam", disse.

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