Piloto não seguiu procedimentos para pousar A320

Último comandante do Airbus antes da tragédia mudou configuração por achar 'mais seguro'

Rodrigo Brancatelli, do Estadão,

20 de agosto de 2007 | 19h42

O piloto Marco Aurélio Incerti de Lima, último comandante do Airbus A320 da TAM antes da tragédia que matou 199 pessoas, revelou nesta segunda-feira, 20, em depoimento à polícia que não seguiu os procedimentos recomendados para pousar com a aeronave. Segundo o promotor de Justiça Mário Luiz Sarrubbo, que acompanha as investigações, ele assumiu que mudou a configuração na hora de acionar os reversos por achar "mais seguro para pousar em uma pista molhada e escorregadia como a de Congonhas". Em janeiro, todos os pilotos foram avisados pela própria Airbus que, durante o procedimento de pouso da aeronave, os manetes devem ser colocados na posição "reverse" (potência contrária), auxiliando na frenagem. Esse procedimento é recomendado mesmo quando um dos reversos está travado, com foi o caso do vôo 3054. Marco Aurélio Incerti de Lima, no entanto, teria deixado o manete da turbina direita na posição "idle" (marcha lenta).  Incerti prestou depoimento junto com o co-piloto Daniel Alves da Silva no 27º DP do Campo Belo, zona sul da cidade. Os dois comandaram a aeronave no trecho entre o Aeroporto de Congonhas e o Aeroporto de Confins, em Minas Gerais, e no vôo de volta a São Paulo - Incerti teria dito também que a pista de Congonhas estava escorregadia no dia do acidente.  Até o ano passado, a Airbus dizia no seu manual que o manete poderia, sim, ser colocado na posição "idle" no caso do reverso de uma turbina estar pinado. O procedimento, no entanto, foi mudado em janeiro. Segundo o brigadeiro Renato Cláudio Costa Pereira, ex-representante do Brasil no conselho da Organização de Aviação Civil Internacional, o procedimento de deixar um manete na posição "idle" nunca pode ser considerado mais seguro. "É um erro", diz. "Se o piloto não trouxer os dois manetes para a posição de reverso, o computador pode não entender a mensagem e os spoilers (freios aerodinâmicos) nunca irão abrir." Informações da caixa-preta do Airbus A320 mostram que no momento da tragédia em Congonhas, a manete da turbina direita também estaria em posição errada (em posição de aceleração) e, por isso, a turbina direita do jato ganhou potência. O erro na posição do manete pode ter sido causado por uma falha do piloto ou por um erro da leitura do computador.

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