Piloto do jato que caiu foi avisado que estava na direção errada

Investigações da Aeronáutica começam neste domingo e devem ser concluídas em 90 dias

Luciana Nunes Leal, do Estadão,

04 de novembro de 2007 | 19h49

O piloto do avião Learjet 35, que caiu neste domingo, 4, pouco depois da decolagem, foi avisado pela torre de controle do Campo de Marte de que estava na direção errada. Ele fazia uma curva para a direita, quando o procedimento correto era de seguir para a esquerda. O controlador da torre alertou o piloto sobre o erro e determinou que o procedimento fosse corrigido, mas não obteve resposta.   Veja também: Jatinho cai e deixa 8 mortos em SP  Vítimas em terra eram todas da mesma família Vídeo do local do acidente  Vídeo das casas atingidas pelo jato  Vídeo do resgate no local do acidente  Veja como foi o acidente com o Learjet 35  Galeria de  fotos  Morador flagra queda de jato e filma resgate Após acidente, Jobim quer mais fiscalização Em uma semana, 4 acidentes aéreos em SP Jornalista testemunha queda de avião   "Os pilotos têm um procedimento padrão e, naquele caso, era para a esquerda. A aeronave decolou e fez uma curva para a direita. O pessoal do controle avisou e pediu para corrigir o procedimento, mas o piloto não respondeu. É intrigante", disse ao Estado um profissional do setor aéreo que acompanhou as primeiras informações sobre o acidente deste domingo.   "O procedimento de decolagem é manual e o piloto sabia que tinha que virar para a esquerda. Não há como saber agora o que aconteceu. Pode ter sido desde um enfarte do piloto, que caiu sobre o manche (volante) até uma pane (em algum equipamento do avião)", afirmou.   Investigações   A assessoria de imprensa da Aeronáutica informou que as investigações das causas do acidente serão conduzidas pelo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa) do 4º Comando Aéreo Regional (Comar), sob a coordenação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), com prazo de 90 dias, prorrogáveis, para a conclusão dos trabalhos.   Segundo a assessoria da Aeronáutica, o avião decolou do Campo de Marte "com chuva leve" e, depois da autorização para a decolagem, o piloto não teve mais contato com a torre de controle do aeroporto.   Dois oficiais de segurança de vôo e dois sargentos especialistas em manutenção, todos do Seripa, começaram a trabalhar neste domingo na investigação. A caixa preta de voz do Learjet foi retirada dos escombros no fim da tarde e será periciada antes da degravação, segundo a Aeronáutica.   Em viagem a Buenos Aires, o presidente da Empresa Brasileira de infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), Sérgio Gaudenzi, não tinha informações sobre o acidente. Gaudenzi afirmou que Campo de Marte é um aeroporto voltado para a aviação geral (jatos executivos, táxis aéreos e helicópteros) e que está em plena condição de funcionamento.   Aumento de vôos   Parlamentares que participaram das CPIs do Apagão Aéreo da Câmara e do Senado chamaram atenção para o fato de que o Campo de Marte teve o movimento muito aumentado com as restrições de pousos e decolagens de jatos executivos e táxis aéreos no Aeroporto de Congonhas.   "Hoje, não existe fiscalização adequada de aeroportos como o Campo de Marte. É um aeroporto pequeno, com uma pista, curta, e que agora está com um movimento muito maior por causa da restrição em Congonhas", diz o vice-presidente da CPI da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).   "As pessoas querem descer em São Paulo e, com a saída dos vôos da aviação geral de Congonhas, optaram pelo Campo de Marte. Com a urbanização crescente em torno dos aeroportos, os acidentes ganham proporções ainda maiores. Não acontece só em São Paulo, nem só no Brasil", disse o relator da CPI do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO).

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