Piloto de helicóptero que caiu na Bahia estaria irregular

O empresário Marcelo Mattoso de Almeida, de 48 anos, que pilotava o helicóptero que caiu na noite de sexta-feira em Porto Seguro, na Bahia, com sete pessoas a bordo, teria situação irregular, segundo o site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Quatro pessoas morreram no acidente e três continuavam desaparecidas na noite de ontem - incluindo o piloto e Mariana Noleto, namorada de um dos filhos do governador do Rio, Sérgio Cabral.

Eliana Lima, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2011 | 00h00

Hoje a Anac deve dar informações mais precisas sobre supostas irregularidades na habilitação do piloto. Mas a consulta do número de matrícula de Almeida no site da agência aponta vários problemas no cadastro do empresário.

Segundo o site, a licença médica de Almeida está vencida desde agosto de 2006. Pelas normas da aviação, pilotos com mais de 40 anos devem realizar exames todos os anos; com menos de 40, uma vez a cada dois anos. Para pilotar um Esquilo - modelo de helicóptero do acidente - Almeida deveria ter habilitação AS 350 ou 355, o que não consta da sua licença.

O empresário seria habilitado para conduzir quatro tipos diferentes de helicópteros, mas todas as licenças estariam vencidas há pelo menos cinco anos. Segundo o site, ele também não teria outra habilitação importante, a de IFR (regras de voos por instrumento, na sigla em inglês), que permite a realização de voos noturnos.

O perito em aviação Roberto Peterka afirma que, se as informações do site da Anac estiverem atualizadas, Almeida não deveria comandar o helicóptero em hipótese alguma. Ele destacou que, se os dados estiverem corretos, o empresário colocou em risco a vida dos passageiros.

Segundo o perito, um piloto sem os conhecimentos de orientação por instrumentos também não poderia ter decolado à noite e sob chuva. "Nos casos de visibilidade fechada, a chance de sofrer uma desorientação espacial é de 95% ou mais. Ele não sabe a posição da máquina, se está de lado ou de ponta-cabeça", explicou Peterka.

Buscas. Na noite de ontem, voluntários que usavam uma lancha para fazer buscas na região encontraram a cabine do helicóptero. Às 20h30, mergulhadores da Marinha confirmaram a localização do compartimento, a 250 metros da costa e a 10 metros de profundidade. Segundo o capitão Jorge Cordeiro, no comando das operações, a água estava muito turva para que as equipes confirmassem a presença de vítimas no equipamento, que estava bastante danificado.

Duas embarcações - o navio patrulha Gravataí e o navio varredor Albardão -, que já estavam acionados para continuar as buscas durante a madrugada, ficariam no local até o nascer do sol. Com o clarear do dia, os mergulhadores fariam novas buscas nas proximidades e no interior da aeronave. / COLABOROU WILLIAM CARDOSO

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