Piloto argentino teme tragédia igual à da TAM no país

Vice-presidente regional de federação lembra acidente similar que matou 64 em 1999.

Marcia Carmo, BBC

18 de julho de 2007 | 17h32

O acidente com o avião da TAM, em São Paulo, suscita temores de uma tragédia semelhante no aeroporto local de Buenos Aires (Aeroparque), disse à BBC Brasil o piloto argentino Alejandro López Camelo, secretário de segurança da Associação de Pilotos de Linhas Aéreas (Apla). Veja também: Lista das 186 vítimas do acidente O local do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Os piores desastres aéreos do Brasil A cronologia dos acidentes em Congonhas Conheça o Airbus A320 Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente Conte o que você viu e o que você sabe   Os temores se baseiam em um incidente ocorrido em agosto de 1999, quando, em situação parecida com a que ocorreu com o Airbus 320 da companhia brasileira, um avião da argentina Lapa saiu da pista, atravessou uma avenida movimentada, arrastou carros, bateu numa estação de gás e deixou 65 mortos. "De lá para cá, nada mudou. A situação até piorou", disse Camelo, que também é vice-presidente da regional Sul da Federação Internacional de Pilotos (Ifalpa, na sigla em inglês). A regional reúne pilotos do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia. Camelo lembra que, com o crescimento econômico recorde na Argentina, aumentou a quantidade de vôos e o trânsito na Avenida Costanera, paralela ao Aeroparque. Além disso, o governo, afirmou o piloto, não avançou na discussão de medidas como a construção de um túnel para os carros e a transferência de lugar da estação de gás e de um posto de gasolina. São medidas que, de acordo com Camelo, também deveriam ser adotadas em Congonhas, já que o aeroporto está inserido na área urbana. Para o vice-presidente regional da Ifalpa, o risco também existe em outros aeroportos de grandes cidades sul-americanas onde não houve planejamento adequado. "Esse é um problema que pode se repetir em outros aeroportos da América do Sul, onde não há planejamento urbano em torno dos aeroportos que estão nas grandes cidades", alertou o piloto, que é da Aerolineas Argentinas e voa freqüentemente para o Brasil. "Congonhas é muito velho, está numa área muito urbanizada e o piloto tem pouca margem para o erro. Guarulhos é diferente, tem outro planejamento, com outras pistas também", afirmou. Segundo o piloto, o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, também está em situação "crítica", mas está melhor do que o de Congonhas porque está rodeado por água. Na sua opinião, falta estratégia em toda a América Latina para que não voltem a ocorrer novas tragédias. Nos últimos tempos, como no Brasil, os argentinos têm reclamado dos freqüentes atrasos nos vôos. A gravidade da situação aérea também é denunciada por pilotos, como Enrique Piñeiro, que fez um filme sobre a tragédia com o avião da Lapa. Piñeiro revelou, por exemplo, que um avião da Presidência da Argentina quase se chocou com um avião particular, há duas semanas. As gravações dos pilotos e da torre de controle foram mostradas nas televisões argentinas. "Eu não posso dizer se o presidente estava ou não naquele avião, mas sim que eles quase bateram", afirmou. De acordo com a Força Aérea Argentina, radares alugados, solicitados pelo governo começaram a operar na semana passada, depois que um raio atingiu o sistema argentino. Na lista das vítimas fatais da tragédia com o avião da TAM, foi confirmado o nome do argentino Alejandro Camozzi, residente no Brasil, como informou à imprensa local o embaixador argentino em Brasília, Juan Pablo Lohle. A tragédia foi noticiada pelas principais emissoras de rádio e de televisão da Argentina. Estima-se que são realizados, semanalmente, cerca de 200 vôos entre Argentina e Brasil.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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