Pichadora da Bienal é condenada a 4 anos de detenção

Caroline Pivetta participou do ataque ao prédio da Bienal no primeiro dia da exposição; defesa vai recorrer

estadao.com.br,

26 de setembro de 2009 | 16h58

Segundo andar é pichado por cerca de quarenta manifestantes. Foto: Tiago Queiroz/AE

 

Conhecida como a pichadora da Bienal, Caroline Pivetta, de 24 anos, foi condenada a quatro anos de prisão em regime semiaberto, nesta sexta-feira, 25.

 

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou Caroline por formação de quadrilha e destruição de bem protegido por lei - o prédio da Bienal de São Paulo é tombado como patrimônio histórico. O advogado da ré, o criminalista Augusto Arruda Botelho, informou que vai recorrer da decisão e desclassificar a condenação.

 

Condenada a quatro anos de prisão em regime semiaberto (em que o preso pode sair para trabalhar ou para estudar), Caroline poderá recorrer em liberdade. Arruda Botelho afirmou que não vai pedir a absolvição. "A Caroline confessou a pichação; no entanto, vou requerer a desclassificação e reforma da sentença. É um absurdo falar em destruição de bem protegido por lei. Ela não destruiu nada." Além da pichação, uma vidraça do prédio foi quebrada.

 

Também chamada de Caroline Sustos, nome que vem da gangue de pichadores que ela integra, a pichadora participou do ataque ao segundo andar no prédio da Bienal, em 26 de outubro do ano passado, no primeiro dia da exposição. Os 40 pichadores alegavam querer ocupar o andar vazio, marco da proposta de curadoria da última edição do evento. Com o tema "Em Vivo Contato", a exposição ficou célebre pela ausência de obras de arte em todo o segundo piso. Segundo o Arruda Botelho, "Caroline justifica o ato com uma expressão artística".

 

Ela foi detida e, três dias depois, enviada à Penitenciária Feminina de Santana, na Carandiru, onde ficou presa por 53 dias. Durante o ataque, o taxista Rafael Martins, de 27 anos, também foi preso, mas foi liberado sete dias depois.

 

Caroline Pivetta deixa o presidio feminino do Carandiru. Foto: José Luis da Conceição/AE

 

A invasão do prédio da Bienal foi parte de uma sequência de ataques de pichadores. O primeiro, em agosto do ano passado, foi a pichação do Centro Universitário Belas Artes, onde Rafael Augustatiz, suposto líder do grupo PixAção, concluiu o ensino superior; em seguida, em setembro do mesmo ano, foi a galeria de arte Choque Cultural, conhecida por vender obras de grafiteiros. Logo depois, em outubro, o alvo foi a Bienal. Por fim, o grupo pichou sobre murais grafitados na cidade, especialmente na região da Avenida Paulista.

 

Críticas à detenção

 

A polêmica em torno da prisão da pichadora envolveu personalidades do meio cultural, que, em sua maioria, condenavam a detenção como sendo autoritária, e chegou a mobilizar ministros. Juca Ferreira, da Cultura, e Paulo Vanucchi, dos Direitos Humanos, pediram, à época, que Caroline fosse solta.

 

Caroline é entrevistada no documentário "Pixo", de João Wainer e Roberto Oliveira, que faz parte da exposição Nascido na Rua, em cartaz até 29 de novembro na Fundação Cartier, em Paris. Clique aqui para ver trecho do filme.

 

Pichação em muro de produtora na Vila Madalena, em referência a Caroline. Foto: Paulo Liebert/AE

 

Pouco mais de um mês depois de sair da prisão, Caroline foi novamente detida em flagrante. Ela foi acusada de tentar furtar DVDs em uma unidade das Lojas Americanas no Itaim Bibi em São Paulo. Caroline e duas amigas foram autuadas e soltas. Hoje, segundo o advogado, Caroline segue a vida normalmente, trabalha e está grávida.

 

Com informações de Maíra Teixeira, da Agência Estado

 

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