Wilton Júnior/AE
Wilton Júnior/AE

Piauí só recebe 2 dos 23 médicos esperados

No Recife, metade não comparece; em AL, 2 recusam jornada de 40 horas e são afastados

Angela Lacerda, Elder Ogliari, Lígia Formenti, Marcelo Portela, Tiago Décimo, Carlos Nealdo, Luciano Coelho, Julio Cesar Lima e Tomas Petersen, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2013 | 02h01

Em alguns Estados, mais da metade dos profissionais brasileiros do Mais Médicos não compareceu no primeiro dia. No Piauí, por exemplo, só 2 dos 23 bolsistas esperados foram aos postos escolhidos. Ali, 121 municípios se cadastraram no programa.

Nem na capital, Teresina, que tem dois cadastrados, houve apresentação. Apenas em Parnaíba, segunda maior cidade piauiense, com 141 mil habitantes, dois médicos estavam a postos. Mas o prefeito Florentino Neto já afirmou que vai pedir mais dois profissionais.

No Recife, metade dos 12 selecionados não se apresentou ontem. Duas médicas comunicaram a desistência à Secretaria Municipal de Saúde, à tarde, e outro profissional avisou que se apresentará amanhã. Outros três não foram localizados. Pelas regras, quem não comparecer ao local escolhido com a devida documentação até o dia 12 será excluído. Dias parados devem ser compensados.

Pernambuco terá 62 bolsistas em 33 municípios. Recife precisará de 43 médicos para completar as equipes de saúde da família. Dos seis brasileiros que se apresentaram na capital, quatro foram à recepção do Ministério da Saúde em um hotel na Praia de Boa Viagem.

Entre eles estava a alagoana Adeísa Toledo Lyra, de 57 anos, sanitarista com experiência em atenção básica que cuida de uma mãe doente, cadeirante, e não pode trabalhar no Recife, cidade para onde foi lotada. Ela fez opção por cinco cidades do seu Estado e, como última alternativa, colocou o Recife. Maceió não aderiu ao programa. "Foi uma grande frustração", afirmou. Seu caso será levado pelo secretário executivo de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, para Brasília - na tentativa de remanejamento.

RECUSAS

Na terra natal de Adeísa ocorreram os dois primeiros afastamentos de bolsistas. Os profissionais, que deveriam atuar no Programa de Saúde da Família de Penedo (a 171 km de Maceió) e Branquinha (a 64 km) teriam se negado a cumprir a carga horária semanal de 40 horas.

De acordo com a presidente do Colegiado de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems/AL), Normanda Santiago, os dois profissionais - um de Alagoas e outro do Rio - alegaram que só poderiam cumprir 16 horas. Diante do impasse, os secretários de saúde exigiram que os dois assinassem um termo desistindo do programa.

Já em Imperatriz, no Maranhão, dos 4 inscritos, 1 compareceu e já se falou abertamente em boicote. "Está claro que essa ausência em massa é fruto do boicote dos médicos. Eles se inscreveram, mas sem interesse verdadeiro em integrar o programa", disse o coordenador de atenção básica local, Anderson Nascimento.

Houve problemas de adesão também nas Regiões Sul, Norte e Centro-Oeste do País. Dos 13 brasileiros esperados pela Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre, apenas oito compareceram e cinco faltaram ao dia de acolhimento. Em Curitiba, um dos sete médicos que se apresentaram desistiu do programa. Já em Santa Catarina, 24 se apresentaram em 16 municípios - eram esperados 29.

Em Brasília, dos 15 inscritos, apenas 9 se apresentaram. "A leitura que se faz é que eles se inscreveram sem convicção sobre se, de fato, gostariam de integrar o programa", disse a subsecretária de Atenção Primária, Rosalina Aratani Sudo,

Na cidade de Araguaina, Tocantins, a estreia do programa também foi frustrada. Dos quatro médicos esperados, apenas um se apresentou. Dois disseram que não viriam e outro, que perdera o avião. "Vamos esperar esta semana. Mas a esperança que eles apareçam é quase nula", afirmou o superintendente de Atenção Básica, Osmar Negreiro Filho. "O mais provável é que, em um segundo momento, as vagas sejam ocupadas por cubanos."

MAIS FORMAÇÃO

 Pelo menos dois Estados ainda dão um "curso preparatório" para os bolsistas federais. Em Salvador, só houve atividade ontem para 18 dos 34 selecionados, que já moram na Região Metropolitana e terão aulas para atuar na periferia. Os demais vêm de outros Estados e devem chegar até sexta-feira. Há duas desistências confirmadas até agora.

Já Minas receberá 72 médicos, mas, em Belo Horizonte, a Secretaria de Saúde informou que eles deverão passar por uma capacitação de 40 horas. E só vão clinicar na próxima semana.

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