Amanda Perobelli/Reuters
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Pianista percorre o Minhocão para celebrar as mães em quarentena

Músico Rodrigo Cunha tocou músicas em uma plataforma móvel adaptada de um caminhão, enquanto percorria a via elevada no centro de São Paulo

Amanda Perobelli e Leonardo Benassatto, Reuters

10 de maio de 2020 | 17h05

SÃO PAULO — Na sexta-feira, 8, o músico Rodrigo Cunha e seu piano percorreram a via elevada, o Minhocão, no centro de São Paulo, tocando músicas escritas pela dupla de compositores mais famosos do Brasil, Tom Jobim a Vinicius de Moraes.

Vestido com um terno azul, máscara de plástico no rosto e em cima de um caminhão modificado, Cunha foi uma presença peculiar no elevado que atravessa prédios cobertos de grafite e que se tornou um símbolo do panorama urbano da cidade.

Mas, com a maior metrópole da América do Sul em quarentena, o surreal ficou cada vez mais normal nas últimas semanas. Esta é uma das muitas maneiras, diz Cunha, para serenar as mães da região, muitas das quais terão que passar o Dia das Mães sem seus filhos ou netos.

“Fico realmente emocionado por poder compartilhar minha arte para que as pessoas se sintam bem”, disse Cunha, músico na Orquestra Baccarelli Elizete Costa, que está fazendo isso como voluntário. “E eu me sinto bem por poder colaborar e fazer parte da história do que estamos vivendo.”

Cunha faz parte de um grupo de dúzias de paulistanos que cederam seu tempo e, em alguns casos, recursos para homenagear mães da cidade.

Embora a crise do coronavírus esteja crescendo no Brasil, levando a um senso palpável de frustração e medo, ela também tem sido uma oportunidade para demonstração de solidariedade de maneiras inesperadas.

O caminhão sobre o qual Cunha toca foi fornecido por uma concessionária local da Mercedes-Benz de graça. Seu terno foi feito por um alfaiate da cidade.

Olga Amato, dona de um grande negócio de eventos em São Paulo e organizadora da iniciativa, disse que se inspira em uma homenagem similar a profissionais de saúde na cidade italiana de Varallo, na qual músicos tocaram o tango brasileiro Odeon, de Ernesto Nazareth. Amato disse que conseguiu reunir todos os voluntários que precisava para o projeto em um intervalo de 24 horas.

“Acho que se o vírus nos ensina alguma coisa é que precisamos diminuir nossas diferenças”, disse, depois de um som do piano que deixou centenas de paulistanos grudados à janela. “Empatia e solidariedade ficarão conosco para sempre.”

Outras fotos do piano de Rodrigo Cunha no Minhocão:

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