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Agendamento de passaporte já tem fila até o fim do ano em SP e PF abrirá novo posto

Com flexibilização de restrições da pandemia, órgão vê aumento 'substancial' de pedidos pelo documento. Novo posto será instalado em shopping na zona norte com 320 atendimentos diários

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2022 | 16h16

SÃO PAULO – Diante do aumento de pedidos de emissão de passaportes e dificuldades em atender a demanda crescente de viajantes para o exterior, a Polícia Federal (PF) informou nesta sexta-feira, 1.º, que irá abrir um novo posto na zona norte de São Paulo. relatos de quem tentou agendar a emissão do documento e não encontrou datas disponíveis na capital paulista este ano.  

A PF declarou que tem registrado um crescimento significativo no pedido de emissão de passaportes após as flexibilizações de restrições impostas no Brasil e no exterior pela pandemia de covid-19. O novo posto será sediado no Santana Parque Shopping, com expectativa de atendimento diário de 320 solicitantes e deverá começar a funcionar ainda em abril. O Estado de São Paulo representa 30% das solicitações de passaporte no País, e a capital, 14% da demanda de produção nacional. 

"Em razão da flexibilização das restrições sanitárias impostas pelos países para controle da pandemia da covid-19 e da desvalorização do dólar frente ao real, houve um incremento substancial na demanda pelo serviço de emissão de passaportes em todo o País", informou a PF. 

Em relação à dificuldade de agendamento, a Polícia Federal informou que o sistema é programado para disponibilizar vagas para um período de até 90 dias, mas usuários relatam que o site mostra datas para agendamento até o final do ano. "Diariamente são abertos aproximadamente 1.600 novos horários para atendimento. Infelizmente, as novas vagas não têm sido suficientes para suprir o grande número de interessados", completou o órgão. 

A PF esclareceu que o cidadão que comprovar estar em situação de urgência ou de emergência será atendido, "devendo para tanto procurar um posto de atendimento munido de documentação que demonstre a necessidade extraordinária (documentos que demonstrem a situação de urgência, seja ela de trabalho, estudo, saúde, ajuda humanitária, catástrofes naturais, e/ou situações que não poderiam ser previstas pelo interessado)".

Passageiros relatam dificuldade para agendar emissão de passaporte em São Paulo

Com intenção de viajar para a Inglaterra em setembro deste ano, o auxiliar administrativo Natanael Campos, de 21 anos, iniciou o processo de emissão de passaporte com alguns meses de antecedência, em fevereiro. “Eu preciso ter tudo certo antes de confirmar as férias, pois trabalho em hospital e, uma vez que as férias estiverem certas, não posso trocar”, explica.

Ele relata ter feito todos os passos necessários e efetuado o pagamento da guia, de cerca de R$ 250, mas depois descobriu que não tinham mais vagas disponíveis em São Paulo. “Olhei todas as unidades disponíveis na lista e até algumas cidades do interior, próximas, e não encontrei horários livres”, relembra. “Parece mentira, mas eu procurei em todos os meses até o mês da viagem, pois, se só tivessem vagas para o fim do ano, postergaria a viagem.”

Após ter passado vários dias procurando por vagas no sistema da Polícia Federal, o auxiliar administrativo relata ter encontrado no dia 16 de março uma única vaga na sede da Polícia Federal do bairro da Lapa, zona oeste da capital. O agendamento era para o dia seguinte. “Era para uma quinta no meio do meu horário de trabalho, tive de pedir uma folga às pressas”, diz. 

Com o agendamento efetuado, Natanael conta que, quando chegou ao local, o procedimento durou apenas 15 minutos. O passaporte ficou pronto dez dias depois.

No caso do gerente de comunicação em um escritório de advocacia imigratória Renato Santana, de 35 anos, a iniciativa de emitir o passaporte foi por precaução. Ainda assim, ele encontrou mais dificuldades do que imaginava. “Como a sede da empresa onde trabalho fica na Califórnia (nos Estados Unidos), e sabia que existia a possibilidade de ter que ir lá por algum motivo, decidi tirar meu passaporte”, conta.

Ele iniciou o procedimento em dezembro do ano passado e pagou a guia, mas deixou para agendar a ida à PF um tempo depois. Após pagamento do valor de R$ 257,25, a polícia dá um prazo de cinco anos para que o usuário possa emitir o passaporte. “Na segunda metade de janeiro, tentei marcar o agendamento, mas quando selecionei os locais, não apareceu nenhuma data disponível”, explica. “Só tinham alguns postos bem distantes, e geralmente para o dia seguinte. Pensei que devia ser algo de começo de ano e resolvi esperar.”

Passado mais um período, Renato decidiu entrar em março no site da Polícia Federal para tentar fazer o agendamento, mas encontrou cenário parecido. “Fui tentar de novo e deu a mesma coisa”, diz. Ele relata que todos os postos mais próximos de onde mora, na Aclimação, ou mesmo os menos distantes de estações de metrô, não tinham data.

Com receio de esperar mais, ele acabou agendando para um horário disponível no dia 8 de abril, também no posto da Polícia Federal localizado na Lapa, distante de onde mora. “Melhor já fazer agora do que ter que esperar de novo, ou ter que ficar o dia todo olhando no site da polícia”, explica. “Eu sei que em consulado demora bastante, mas, para tirar passaporte, achava que não. Para mim, era igual Poupatempo: chegar lá e tirar.”

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