PF resgata oito vítimas de pedofilia

Crianças foram entregues a instituições para tratamento psicológico; agressores podem ser condenados a até 33 anos de prisão

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

A Operação Tapete Persa, que desmantelou uma rede de pedofilia em nove Estados e no Distrito Federal na terça-feira, resgatou oito crianças entre 6 e 11 anos, três delas de São Paulo. Os pedófilos, todos com relação de poder sobre as vítimas, inclusive parentes, estão presos e podem pegar até 33 anos de prisão, com as agravantes.

Um deles tem mais de 60 anos e outro abusou de duas meninas de 6 anos, com as quais produziu imagens pornográficas apreendidas pela Polícia Federal.

As crianças, segundo a PF, foram entregues a instituições especializadas em tratamento psicológico de vítimas de abusos sexuais e receberão atenção do Estado até que sejam consideradas recuperadas. Mas suas vidas estão definitivamente afetadas. Algumas terão de mudar de escola, ou mesmo de cidade. "A pedofilia se espalha como praga no País e atinge todas as camadas da sociedade", alertou o delegado Stenio Santos Souza, chefe do Grupo Especial de Combate aos Crimes de Ódio e à Pedofilia na Internet (Geop).

Encarregado da operação, o delegado Marcelo Bórsio pediu o engajamento de toda a sociedade no enfrentamento do crime, um dos que mais crescem no País. "É visível que há uma degradação de valores na sociedade", observou. Entre os agressores apanhados nas últimas operações há até idosos de 80 anos, alguns avós das vítimas. A predominância ainda é de homens, entre 30 e 50 anos, mas há casos de mulheres que abusam de meninas e meninos. O perfil social também é variado: "Há ricos, pobres e classe média na mesma proporção do seu tamanho na sociedade", explicou Souza. Em muitos casos, o agressor é casado e com filhos.

O traço comum à maioria dos casos, segundo a PF, é a relação de poder do agressor sobre as vítimas. São em geral parentes próximos - pais, avós, tios, padrastos - ou vizinhos e amigos íntimos da família. Há muitos casos de professores de educação física, médicos, religiosos (tanto padres como pastores evangélicos) e educadores dos mais variados tipos.

A pedofilia, segundo Bórsio, teria uma gradação, como no vício da droga. "Começa com uma olhada numa imagem pornográfica infantil e acaba em abuso sexual de crianças, muitas vezes com emprego de violência." O Brasil está hoje entre os primeiros no ranking desse crime não porque a situação seja pior do que em outros países, mas porque tem uma população grande, com mais de 80 milhões de usuários da internet, o quinto maior público conectado do mundo.

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