PF prende no Rio integrante do grupo extremista ETA foragido desde 1991

Pocholín foi condenado na Espanha pela morte de 2 policiais em atentado a bomba; pena de 20 anos prescreveria na próxima semana

MARCELO GOMES / RIO , O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2013 | 02h03

Agentes da Polícia Federal (PF) prenderam, na manhã de ontem, no Rio, Joseba Gotzon Vizan González, de 53 anos, o Pocholín, acusado de integrar o grupo separatista basco ETA. Ele estava foragido desde 1991, quando teve a ordem de prisão emitida pela Audiência Nacional, tribunal espanhol encarregado de assuntos de terrorismo. Condenado a cerca de 20 anos de cadeia por um atentado a bomba que explodiu um carro e matou dois policiais na Espanha em 1988, González ficaria impune a partir da próxima semana, quando sua pena prescreveria.

"Conseguimos evitar que esse crime grave cometido na Espanha ficasse sem punição e também retiramos das ruas brasileiras uma pessoa extremamente perigosa. É uma prisão muito importante para os dois países", disse Valmir Lemos de Oliveira, superintendente da Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro.

González foi preso perto de sua casa, na Glória, zona sul do Rio, após três semanas de investigações. A PF não revelou seu endereço. Ele estava acompanhado de sua mulher, também espanhola, e não ofereceu resistência à ação dos agentes federais.

Ao ser preso, González perguntou informalmente aos policiais quais as possibilidades de se obter refúgio ou asilo político no Brasil. "Ele afirmou que as acusações contra ele são de natureza política, já que foi filiado a um partido político na Espanha", contou Oliveira.

Segundo a PF, González deixou a Espanha em 1991. Morou por dois anos na França e foi para o México em 1993. Está no Brasil há 17 anos, desde 1996.

Vida normal. No ano passado, com uma identidade falsa, o foragido requereu ao Ministério da Justiça o direito de residir permanentemente no País. Aqui, ele levava uma vida normal com sua mulher, dava aulas de espanhol em um curso de idiomas e fazia traduções.

"González usou documentos de outro cidadão espanhol, chamado Aitor Julián Arecha Echevarría, para requerer o Registro Nacional de Estrangeiros. Ele confessou este crime no momento da prisão. Sabemos que Echevarría não reside no Brasil. Vamos investigar como González conseguiu esses documentos", disse Oliveira.

Agora, González vai também responder no Brasil pelo crime de falsificação de documento público - com pena prevista de 1 a 5 anos de prisão.

Investigações. Há três semanas, após receber uma informação do governo espanhol de que González poderia estar vivendo no Rio com um nome falso, a PF levantou seis endereços onde o foragido poderia ser encontrado. O local exato foi localizado há três dias.

"Antes de prendê-lo, decidimos checar com as autoridades espanholas se as digitais de Echevarría correspondiam àquelas que González forneceu ao requerer o registro de estrangeiros no Brasil. Como as digitais não batiam, tivemos a certeza de que se tratava de González e o prendemos hoje (ontem)", explicou Oliveira.

Ontem à tarde, González foi transferido para uma penitenciária na zona oeste do Rio. Ele ainda não havia constituído advogado para defendê-lo.

Até as 20h30, a Embaixada da Espanha no Brasil ainda não havia informado se vai solicitar à Justiça brasileira a extradição do preso.

Armas depostas. Em outubro de 2011, o grupo separatista ETA anunciou que abandonaria definitivamente a luta armada - decisão comemorada pelas autoridades espanholas. Durante quase 50 anos, o grupo lutou pela independência do País Basco - região que compreende o norte da Espanha e o extremo sudoeste da França. Desde seu primeiro atentado, em 1968, o grupo matou mais de 850 pessoas, entre autoridades e civis.

O grupo terrorista estava enfraquecido pela intensa pressão policial e pela falta de respaldo político para insistir em sua atividade armada. A decisão foi publicada no site de um jornal espanhol. O comunicado, porém, não disse o que a ETA fará com suas armas - cuja devolução é uma exigência do governo da Espanha como pressuposto para negociações.

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