PF prende 6 por fraudar desarmamento

Esquema teria desviado R$ 1,3 mi e envolveria coordenador de ONG que integra Conselho Nacional de Segurança do Ministério da Justiça

LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA O ESTADO, FORTALEZA, HELIANA FRAZÃO, ESPECIAL PARA O ESTADO, SALVADOR, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2013 | 02h04

A Polícia Federal (PF) prendeu em Fortaleza, anteontem, o coordenador nacional do Movimento Internacional pela Paz e Não Violência (MovPaz), Clóvis Nunes. Ele é acusado de liderar um esquema de fraude que desviava dinheiro da Campanha Nacional do Desarmamento. Segundo os agentes, o prejuízo aos cofres da União foi calculado em aproximadamente R$ 1,3 milhão.

Segundo a investigação que culminou nas prisões na Operação Vulcano, a fraude consistia em cadastrar armas inexistentes ou artesanais como industriais para que fossem geradas guias de pagamento. Pela campanha, as pessoas que entregarem suas armas recebem de R$ 150 a R$ 400 por equipamento, de acordo com o tipo e calibre. Os dados falsos eram inseridos no sistema Desarma, software de cadastro de armas cedidas.

O esquema na Bahia e no Ceará fraudou o recebimento de 8,8 mil armas de fogo. Dessas, 4 mil armas não existiam e outras 4,4 mil eram de fabricação artesanal, que não gerariam qualquer tipo de pagamento pelo governo federal. No Ceará, segundo o MovPaz, foram de fato recebidas neste ano 88 armas de fogo e 583 munições.

Os policiais federais cumpriram 12 mandados de busca e apreensão, seis mandados de prisão temporária e cinco mandados de condução coercitiva, nas cidades de Feira de Santana, Cícero Dantas e Antas, na Bahia, e em Fortaleza. Além de Clóvis Nunes, foi preso seu irmão, Carlos Alberto.

Líder. Segundo a PF, Clóvis Nunes criou a ONG MovPaz exatamente para fazer a fraude no Ceará, Bahia e em outros Estados. Nunes foi transferido anteontem de Fortaleza para Feira de Santana, na Bahia, onde também está preso Carlos Alberto. Os dois seriam levados ainda ontem da carceragem da PF para o Presídio Regional de Feira de Santana, onde cumpririam, inicialmente, a prisão temporária de cinco dias.

Clóvis Nunes é integrante do Conselho Nacional de Segurança Pública, órgão ligado ao Ministério da Justiça, que também coordena a Campanha Nacional do Desarmamento. Além disso, Nunes é coordenador regional do Desarma e diretor administrativo do projeto Por um Mundo Sem Armas.

Organização. Os irmãos Nunes, conforme investigação dos policiais federais, conseguiram a senha do comando da Polícia Militar de Feira de Santana para o Desarma e passaram a cadastrar armas fictícias e outras sem validade para o programa. Os irmãos são acusados de peculato donoso, peculato eletrônico, formação de quadrilha e fraude à Lei do Desarmamento.

O MovPaz em Fortaleza emitiu uma nota afirmando que "não guarda qualquer relação com o acontecimento de Feira de Santana". A nota da entidade destaca ainda "que não é possível emitir qualquer juízo de valor sobre os apontamentos realizados, haja vista que o processo não chegou ao conhecimento da entidade em Fortaleza".

A ONG finaliza o comunicado ressaltando que Nunes "é uma pessoa íntegra, motivo pelo qual não há razão para se duvidar de sua conduta, pois sempre pautou suas ações no bem da população e no desenvolvimento da cultura de paz em nosso território".

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