PF prende 2 por estimular ódio e abusos na internet

Nos seus links mais agressivos, o site dos acusados mostra maneiras de matar uma pessoa - negro, mulher ou homossexual

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA , EVANDRO FADEL / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

23 Março 2012 | 03h04

A Polícia Federal prendeu ontem, na Operação Intolerância, dois jovens de classe média acusados de usar a internet para incitação à violência contra negros, homossexuais, mulheres, judeus e nordestinos. Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello mantinham um site que, entre outros pontos, ensinava como adotar crianças para abuso sexual e pregava o "estupro corretivo" de lésbicas.

O curitibano Emerson Eduardo Rodrigues, de 32 anos, e o brasiliense Marcelo Valle Silveira Mello, de 26, foram detidos em Curitiba. As investigações começaram em dezembro, após mais de 70 mil denúncias de internautas, da sociedade civil e de representação das Secretarias de Proteção à Mulher e de Direitos Humanos da Presidência. A operação teve o apoio até da polícia federal americana (o FBI).

Nos seus links mais agressivos, o site dos acusados mostra como matar uma pessoa - negro, mulher ou homossexual de preferência -, de maneira lenta ou rápida. A dupla ainda pregava abertamente assassinatos e atentados contra representantes desses grupos, tratados como "animais", "escória" e "seres inferiores". Nas mensagens postadas, os dois demonstram ódio particular por mulheres. "Faça você mesmo: estupre e mate uma". Contra os homossexuais, a virulência da dupla não deixa por menos. "Pegue uma arma, engatilhe e atire em um homossexual."

Eles demonstram particular fixação com o deputado federal e militante gay Jean Wyllys (PSOL-RJ). "Encomendaremos a morte dele." Os dois também colocaram online ofensas à presidente Dilma Rousseff e a políticos com histórico de esquerda.

Rodrigues foi preso em sua casa, enquanto Mello estava em um hotel. Eles foram indiciados por incitação ao crime, discriminação racial, por meio de recursos de comunicação social, e divulgação de imagens de conteúdo pornográfico juvenil.

A PF também realizou buscas e apreensões em dois endereços em Curitiba e em um em Brasília. A dupla também fazia pedidos de doações pelo site e a PF quer saber a origem de R$ 500 mil da conta corrente de Mello.

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