PF pode apurar sumiço de Amarildo

Ministro da Justiça ligou para o governador do Rio e deu prazo para o fim do inquérito; se não for cumprido, agentes vão assumir o caso

Marcelo Gomes / RIO, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2013 | 02h04

Quase dois meses depois do desaparecimento do pedreiro Amarildo Souza, de 43 anos, na Favela da Rocinha, zona sul do Rio, o Ministério da Justiça analisa a possibilidade de a Polícia Federal instaurar inquérito para apurar o caso. A investigação da PF seria paralela à conduzida pela Polícia Civil fluminense.

O Estado apurou que o ministro José Eduardo Cardozo telefonou para o governador Sérgio Cabral (PMDB) e teria estipulado um prazo para que o inquérito da Divisão de Homicídios fosse concluído. Caso contrário, a PF abriria inquérito paralelo. O delegado Rivaldo Barbosa, da DH, foi chamado por Cabral ao Palácio Guanabara, que cobrou rapidez nas investigações.

Cardozo pediu parecer à Advocacia-Geral da União, após dez deputados federais do Rio solicitarem formalmente a entrada da PF no caso, no dia 4. Amarildo está desaparecido desde 14 de julho, quando foi conduzido por policiais militares de sua casa até a Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha (UPP). O inquérito é a prioridade "número um" na Divisão de Homicídios.

Apesar das dezenas de depoimentos colhidos e das perícias já realizadas, a DH ainda não conseguiu reunir provas suficientes para indiciar os suspeitos. Oficialmente, há duas linhas de investigação: de que o crime tenha sido cometido por PMs da UPP, ou por traficantes que ainda atuam na Rocinha. Entretanto, nos bastidores, fontes ligadas à investigação dizem que a hipótese mais forte até o momento aponta para o envolvimento de policiais no sumiço do pedreiro.

Pensão. A Justiça do Rio deferiu pedido de antecipação de tutela para obrigar o Estado do Rio a pagar um salário mínimo, a título de pensão alimentícia, aos parentes de Amarildo. O Estado também deverá fornecer tratamento psicológico, no valor de R$ 300 por consulta, aos familiares do pedreiro. A ordem é do desembargador Lindolpho Marinho, da 16.ª Câmara Cível. O magistrado modificou decisão do juízo da 4.ª Vara de Fazenda Pública, que havia negado os pedidos dos familiares da vítima.

"Não é difícil imaginar uma família humilde, pobre, tendo como moradia apenas um cômodo, de futuro incerto e sem esperança de dias melhores, que repentinamente se confronta com angustiante e desesperador acontecimento: o seu chefe é levado pela autoridade policial, que lhe deve custodiar e simplesmente desaparece", escreveu o desembargador, em sua decisão. "Tudo isso leva a crer fielmente que esta família necessita com urgência de amparo. O Estado do Rio de Janeiro, por ato de sua Polícia Militar, é que aparece como parte deste infausto acontecimento", completou Marinho.

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