PF não vai receber os US$ 5 mi da recompensa por traficante

Ramírez Abadía pretende negociar delação premiada com autoridades dos Estados Unidos

10 de agosto de 2007 | 10h42

A Polícia Federal esclareceu, através da assessoria de imprensa, em Brasília, que em nenhum momento a instituição cogitou receber a recompensa de US$ 5 milhões oferecida pelo governo norte-americano pela prisão do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, no último dia 7, em Aldeia da Serra, na Grande São Paulo.  A assessoria enfatizou que a Polícia Federal cumpriu com o papel constitucional da corporação e que a "segurança pública é dever do Estado". A assessoria comunicou também que a operação não foi isolada e teve a participação de vários órgãos governamentais brasileiros e estrangeiros, incluindo a ajuda da Argentina, Uruguai e Espanha. "Não pleiteamos, não esperamos e não receberemos (a recompensa)", informou a assessoria. O colombiano Juan Carlos Abadia, acusado de chefiar o cartel de drogas Vale do Norte, é um dos traficantes mais procurados do mundo pela agência antidrogas dos EUA. Ele é suspeito de ser o mandante de centenas de homicídios na Colômbia e nos EUA, incluindo de policiais e informantes.  A prisão do traficante fez parte da Operação Farrapos, desencadeada em seis estados. Devem ser cumpridos 17 mandados de prisão e 28 ordens de busca e apreensão para desarticular uma organização internacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.  Segundo nota da Polícia Federal, há dois anos e meio a polícia investigava um esquema criminoso em que os traficantes colombianos transportavam grandes quantidades de entorpecentes para a Europa e EUA. O lucro retornava ao Brasil, saia da Espanha e México e passava pelo Uruguai. Para lavar o dinheiro, a organização investia no ramo imobiliário, industrial e na compra de automóveis. Delação premiada O megatraficante colombiano preso na Grande São Paulo, Juan Carlos Ramírez Abadía, quer trocar o que sabe em um acordo para reduzir sua pena nos Estados Unidos. Um funcionário da Agência de Combate às Drogas (DEA, na sigla em inglês) disse que a cooperação do criminoso pode levar à prisão de outros líderes do Cartel do Norte do Vale, ainda foragidos. "Para vocês (da DEA), eu falo nos Estados Unidos", disse na quinta-feira, 9, o colombiano. O interrogatório durou seis horas. Admitiu que tinha negócios no Brasil, negou que traficasse drogas no País, mas confirmou sua participação no tráfico internacional. Ramírez Abadía falou pouco com os policiais estrangeiros. Evitou responder sobre a estrutura da organização no exterior, para receber o benefício. A Polícia Federal prendeu na noite de quinta, em Campinas, mais dois integrantes da quadrilha do megatraficante. As investigações levaram ao colombiano Jaime Verano Garcia, irmão do chefe da célula do bando em Curitiba, Victor Garcia (preso na terça-feira), e o motorista do grupo em Campinas, o brasileiro Eliseu Almeida Machado. Nas casas dos dois, foi apreendido mais de R$ 1 milhão. A operação, que contou com agentes da DEA, da polícia americana e Procuradoria Federal, começou com o mandado de busca na casa do colombiano na Vila das Verbenas, no bairro Gramado, repleto de condomínios de alto padrão. Os federais encontraram dinheiro enterrado na casa alugada pelo colombiano. Com a prova material em mãos, os federais prenderam Garcia em flagrante. Ele os levou à casa do motorista. Segundo vizinhos, que pediram para não serem identificados, Garcia, a mulher, a filha de 1 ano e um filho de 5 eram bastante educados, mas reservados. Ele cumpria todas as obrigações do condomínio, nunca atrasou um pagamento e recebia visitas com carros luxuosos. Um episódio que chamou a atenção do síndico foi o fato de Garcia construir uma churrasqueira no fundo da casa (mesmo sem ser o dono). Depois da operação da PF, os moradores imaginam que obra tenha sido a tática para esconder o dinheiro. (Com informações da Agência Brasil)

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