PF lança centro para combater ataque a sites do governo federal

Entre as 2 mil invasões sofridas por hora, até a página da Presidência da República já foi alvo de criminosos

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h08

Em uma investida para combater cerca de 2 mil ataques de hackers sofridos por sites do governo por hora, a Polícia Federal (PF) lançou ontem seu primeiro Centro de Monitoramento do Serviço de Repressão a Crimes Cibernéticos, em Brasília.

Em junho do ano passado, a ousadia dos criminosos virtuais atingiu o ápice. Eles chegaram a derrubar o site da Presidência da República. A principal função dos policiais será justamente resguardar as 320 redes federais e monitorar a ação dos hackers. Até agora, a PF já tem cerca de 250 sendo monitorados.

Uma unidade já atuava na PF contra crimes virtuais. O centro, porém, tem 25 policiais dedicados exclusivamente a esse tipo de caso. "São pessoas formadas em áreas da tecnologia da informação e que recebem treinamento especializado", afirmou o delegado Carlos Miguel Sobral, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF.

Ele afirma que os policiais já estão preparados para atuar na prevenção de ataques durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, que acontece a partir do dia 13.

Até a Copa do Mundo de 2014, a PF planeja ter 140 policiais treinados para combater os ataques que devem aumentar por causa da visibilidade que o evento trará para o País.

"Durante um evento de grande porte, com muita gente enviando e consumindo informação, o transtorno causado por um ataque pode ser muito maior, inclusive para a imagem do Brasil", disse o delegado.

A PF afirma que a previsão é de que haja equipes táticas em todas as cidades-sede da Copa.

O presidente da ONG SaferNet, Thiago Tavares, afirma que alguns sites governamentais não exigem muita perícia dos hackers durante os ataques. "Alguns sites estaduais e municipais não têm o mínimo de segurança", afirma.

Além de hackers, há até empresas de segurança atuando em ataques contra sites de órgãos públicos. "Não é generalizado, mas há empresas que criam uma demanda para vender segurança", afirma Tavares.

Histórico. No dia 15 de maio, o site da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foi atacado e fotos roubadas da atriz Carolina Dieckmann nua foram colocadas na página.

Só os casos de violações virtuais reportados voluntariamente ao Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.Br) chegaram a 399.515 em 2011 - recorde histórico desde 1999, quando começou a contagem.

De janeiro a março deste ano, já são 87.210 casos.

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