PF e Estados identificam black blocs

Ministro da Justiça diz que há 'integração de inteligência' sobre acusados de vandalismo, mas que objetivo não é policiar movimentos

Laís Alegretti / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2013 | 02h11

Em mais um capítulo da tentativa do governo federal de mostrar reação às ondas de violência nas manifestações de rua pelo País, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reforçou ontem a interação das áreas de inteligência das polícias Federal e estaduais na identificação dos acusados de vandalismo. Além disso, falou até na possibilidade de alterar a lei para punir os chamados black blocs.

"O que está divulgado seguramente faz parte desse esforço que fazemos para buscar interação em informações de inteligência na questão de avaliação de informações sobre atos de vandalismo", disse o ministro da Justiça.

A Polícia Federal identificou 130 pessoas suspeitas de ligação com as atividades dos black blocs atuando no Rio e em São Paulo e distribuiu essa informação à áreas de segurança dos dois Estados, segundo divulgou o jornal O Globo.

Cardozo lembrou que a Polícia Federal e as secretarias estaduais de segurança pública já se comprometeram a compartilhar dados, mas, depois de ter afirmado que a informação divulgada pela imprensa faz parte do acordo, o ministro recuou: "Confirmei que existe um trabalho. Não vou confirmar documento, nem dados de documento", disse. "Uma coisa que aprendi é que informações da área de inteligência não se comenta."

"Se eu tivesse informações sobre participação de grupos criminosos nessas manifestações, eu não poderia neste momento falar sobre elas, porque são informações de inteligência. Há investigações em curso", afirmou o ministro Cardozo. Ele acrescentou que, se houver participação de grupos criminosos nos protestos, serão tomadas medidas para coibir essas ações.

Lei. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) concordaram em fazer reunião conjunta do governo federal com as secretarias de segurança pública do Rio e de São Paulo, segundo afirmou o ministro. "É para discutirmos a questão de eventuais mudanças na legislação, se serão necessárias ou não, além das interpretações que podem ser colocadas em relação a esses atos", explicou. Cardozo disse que a intenção é que a reunião aconteça até o início da semana que vem.

O ministro da Justiça ressaltou, no entanto, que não se trata de policiar movimentos sociais, mas sim de evitar excessos. "Queremos proteger a liberdade de manifestação e a população brasileira de pessoas que de forma ilícita se aproveitam da liberdade de manifestação de outros", disse o ministro da Justiça, no lançamento de uma campanha publicitária sobre direitos do consumidor, ontem.

"À medida que detectamos que pessoas vêm se organizando, trazendo de casa bombas, instrumentos que podem gerar ferimentos, obviamente o Estado brasileiro tem que buscar enfrentar essa questão", afirmou Cardozo.

Visitantes. Questionado pela imprensa estrangeira sobre o temor de violência durante a Copa do Mundo no Brasil, no ano que vem, Cardozo disse que o País tem um plano de segurança pública e vai atuar garantindo a tranquilidade.

"Estamos tratando neste momento de situações do cotidiano do País, não da Copa do Mundo", disse o ministro.

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