POLICIA FEDERAL
POLICIA FEDERAL

PF apura uso de navios em Santos por traficantes

Em menos de uma semana, dois transportes de toneladas de cocaína terminaram barrados

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2018 | 21h52

A Polícia Federal investiga um grupo responsável por manipular toneladas de cocaína no Porto de Santos, no litoral paulista. Um agente da Polícia Federal explicou que o grupo armado que supostamente invadiu o navio cargueiro Grande Francia, na madrugada deste domingo, 12, a 15 km ao largo do Porto de Santos, é tratado pela corporação como uma quadrilha de traficantes de drogas.

Diferentemente dos “piratas”, que atacam e invadem os navios para roubar ou sequestrar a embarcação, os quatro homens teriam subido a bordo para pôr ou tirar drogas. Conforme o relato da tripulação, estariam interessados em “plantar” os 1.322 quilos de cocaína que foram encontrados posteriormente em malas em dois dos contêineres do barco que foi alvo de ataque, divididos em 41 bolsas pretas. Até mesmo essa versão - de que a droga foi içada para o convés do navio e colocada nos contêineres - ainda é investigada. Outra possibilidade é de que os homens estivessem ali para recolher o produto.

Inicialmente, a tripulação do Grande Francia disse que esperava aval para atracar, quando os homens a bordo foram notados. O jornal A Tribuna relata que a invasão teria sido percebida às 2 horas, quando se acionou o alerta de pânico - no qual os tripulantes devem trancar-se nos locais onde estavam e esperar auxílio externo. Na mesma hora, houve pedido de ajuda a barcos próximos e à polícia, segundo essa versão, ainda apurada pela PF. 

Como o mar estava agitado, os policiais só conseguiram ir a bordo horas depois. Foi quando o comandante relatou o caso e disse ter achado dois contêineres revirados. 

Mas, após o navio atracar, nada irregular foi encontrado por PF ou Receita Federal nos depósitos abertos. Já em outros dois contêineres foi achada a carga de cocaína. Essa droga, segundo a Receita, já teria até destino: Antuérpia (Bélgica).

Investigação. Conforme um policial federal ouvido pelo Estado, a ação se assemelha à do dia 7, quando os traficantes, ajudados por pessoas a bordo, içaram 1,2 tonelada de cocaína para o convés do navio Grimaldi Grande Nigéria, também de bandeira italiana. Nesse caso, o navio estava atracado em um terminal de Valongo, no cais de Santos. Os dois navios pertencem a uma empresa italiana. 

PARA LEMBRAR

Maior registro em dez anos

Como o Estado mostrou no mês passado, as apreensões de cocaína em 2018 nos maiores portos do País já são as mais volumosas dos últimos dez anos. Do início de janeiro até 19 de julho, a Polícia Federal e a Receita Federal flagraram, em média, 66 quilos da droga/dia. 

O material é achado escondido em contêineres ou nos navios, a maioria com destino à Europa - até agora as cerca de 30 operações somaram 13,8 toneladas retiradas de circulação. Durante todo o ano passado, foram 17,6 toneladas de droga apreendidas nos portos – média de 49 quilos por dia.

Especialistas apontam que o aumento nas apreensões, que começou a ser notado a partir de 2016, indica uma atuação mais qualificada das forças policiais, com trabalho de inteligência, mas também que as facções criminosas, em especial o Primeiro Comando da Capital (PCC), estão atuando com maior intensidade para tentar escoar o produto ilegal e manter seu ritmo de crescimento. Um terceiro fator associado a esse seria o aumento nas áreas de plantação de coca em Colômbia, Peru e Bolívia.

Mais conteúdo sobre:
Porto de Santos tráfico de drogas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.