Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Pets exibem 'coleção de inverno' no frio de SP

Subiu a procura por meia, sapato, moletom, pijama e até suéter, apropriados para vestir de maltês a são-bernardo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

19 Julho 2017 | 03h00

SÃO PAULO - A paisagem da cidade não mente: São Paulo está um frio do cão. Com termômetros a 10.º C, cachorrinhos e cachorrões desfilam pelas ruas bem agasalhados. No universo da moda canina, a “coleção de inverno” está em alta. Em pet shops, subiu a procura por meia, sapato, moletom, pijama e até suéter, apropriados para vestir de maltês a são-bernardo.

Na segunda tarde mais fria em 13 anos na capital paulista, a autônoma Bruna Baiochi, de 23, resolveu cobrir Amora inteira, com gorrinho rosa e tudo. “Ela é bem arteira, então a gente nota quando está com frio porque ela fica quietinha, só faz dormir”, diz sobre a pet de 8 meses.

Já o shitzu Soneca não deixa pôr roupa nenhuma. “Ele odeia, fica logo agitado”, diz Rafael Torres, de 26 anos, namorado de Bruna. “Mas até pensei em comprar uma hoje (terça) por causa desse frio, só que o vendedor desaconselhou”, afirma. “Peludo assim, ele disse que podia passar mal.”

O vira-lata Thor, que foi resgatado das ruas e tem idade estimada de 5 anos, passeia pela Avenida Angélica, na região central, de colete e gravata. “Ele é muito friorento, tem dia que tem de colocar duas roupas”, conta a passeadora Isabela Souza, de 16 anos. “Em casa, só quer saber de ficar embaixo das cobertas.”

O passeador Guilherme Costa, de 23 anos, que guia a golden retriever Vitória, de 2, diz ser comum alguns donos pedirem para reduzir o trajeto quando a temperatura cai. Normalmente, a caminhada dura uma hora. “Os cães ficam mais preguiçosos no frio”, diz.

Tendência. Nos pet shops, a busca por agasalhos aumentou. “De junho para cá, a procura tem crescido por causa do frio”, diz Diane Martins, de 41 anos, proprietária de uma loja na Angélica. Ela estima vender cerca de 30 peças por semana. "Não é igual à gente: a roupa dura mais e o dono aproveita de um ano para o outro."

Responsável pelo setor de roupas em uma loja na Avenida General Olímpio da Silveira, no centro, Monique Bevilaqua afirma que as saídas estão à toda, com cerca de 100 atendimentos de segunda a sexta. “Agora só tem coleção de inverno, porque está vendendo muito”, diz. “No fim de semana, não deu nem para sair daqui do corredor de tanta gente que veio comprar.”

Segundo explica, há tamanhos (do 1 ao 22) e modelos para cada tipo de cão. Mais quente, o “soft”, por exemplo, é contraindicado para peludões. Já o suéter veste bem em magricelos, como os galgos. O básico mesmo é o moletom. “É um traje inteiro, igual ao nosso.”

As meias são mais procuradas no inverno. Os sapatos, no verão. Pijama é só para cachorro que gosta de roupa, porque cobre as quatro patas. Para os que se incomodam, melhor usar uma capa. “Ela prende em cima e deixa a barriga livre”, explica Monique.

“Tem gente que entra aqui para comprar ração e acaba levando uma roupinha”, diz a atendente. “Mas tem gente que vem só para isso. Roupa para cachorro é igual à roupa para gente normal: quando entra coleção nova, modelo novo, o pessoal corre para comprar.”

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