Petróleo 'brota' em rua em São Sebastião, dizem moradores

Problema ocorre na mesma área onde houve vazamento em 2006; multada, Petrobrás nega responsabilidade

Reginaldo Pupo, especial para o Estado / São Sebastião, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2013 | 02h01

Um líquido viscoso, preto e com cheiro característico de petróleo está "brotando" há três semanas na calçada da Rua Tancredo Neves, no bairro Itatinga, periferia de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. O forte odor tem incomodado os moradores e há casos de mulheres e crianças com náusea e mal-estar.

A Petrobrás foi multada na semana passada pela Secretaria do Meio Ambiente em R$ 5 mil, valor máximo fixado pela lei ambiental do município. A estatal vai recorrer por considerar a multa indevida, pois o produto "comprovadamente não tem relação com nossas atividades".

Em 2006, na mesma área, um morador descobriu petróleo no quintal de casa durante uma reforma. Antes, ele já se queixava de cheiro forte de petróleo. Em uma rua próxima, o produto jorrava na calçada. Na época, nove famílias foram removidas pela Petrobrás, que pagou cerca de R$ 150 mil por imóvel, segundo moradores. Eles passaram por exames laboratoriais para detectar possível contaminação.

A Petrobrás divulgou na ocasião que a substância era "óleo degradável". As casas foram demolidas e a área, interditada, com muros de concreto.

O bombeiro civil Evaldo Pereira, de 39 anos, morador da região, afirma que novos focos foram registrados a um quilômetro da área contaminada e que técnicos da Petrobrás não visitaram o local mesmo após as queixas dos moradores. O muro da área interditada amanheceu pichado com a inscrição "Petrobrás socorro".

De acordo com Pereira, o problema acontece quando chove na área supostamente contaminada. "A água se infiltra no solo e traz o petróleo à tona, que é mais leve. O resultado é o extravasamento do produto pelas ruas do bairro", explica ele, que mora no local há 30 anos.

Para complicar a situação, algumas residências próximas estão ruindo em função das escavações que vêm sendo feitas pela Petrobrás. Moradores suspeitam que a estatal tenha aterrado grande parte do bairro - praticamente inexistente na época - com óleo contaminado, possivelmente proveniente de limpeza de seus tanques na década de 70. Os resíduos teriam permanecido no solo. Ao longo dos anos, as casas foram erguidas em cima dessa área.

Estatal. Segundo a Petrobrás no Rio, o produto que aflora na calçada não tem relação com as atividades da empresa. A estatal afirma que, com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), realizou análises químicas do produto e "todas constataram que não se trata de hidrocarbonetos de petróleo". Ainda segundo a empresa, "as ações vêm sendo acompanhadas pelo Ministério Público, Cetesb, Vigilância Sanitária e Secretarias de Meio Ambiente e Saúde (de São Sebastião)".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.