Petista é eleito presidente da Câmara

José Américo teve o apoio de 51 dos 55 parlamentares e base de Haddad terá 42 vereadores; seis suplementes assumem o cargo hoje

Diego Zanchetta, de O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2013 | 02h01

Com o apoio de 51 dos 55 vereadores paulistanos, o petista José Américo (PT) conquistou ontem o comando da Câmara Municipal. Como já se indicava, o prefeito Fernando Haddad começará seu governo com uma base governista recorde na Câmara, formada por 42 vereadores (76,3% do Legislativo) - em seu primeiro ano como prefeito, em 2006, Gilberto Kassab tinha base formada por 33 vereadores; Marta Suplicy (PT) contava, em média, com o apoio de 38 parlamentares em 2001, no início de sua gestão.

A ampla maioria foi garantida após Haddad ceder a vice-presidência do Legislativo ao PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). A bancada kassabista, a terceira maior com oito vereadores, assinou de última hora apoio à candidatura de José Américo. Logo depois de ser eleito presidente, o petista viu Marco Aurélio Cunha (PSD) ganhar a primeira vice-presidência da Casa. Cunha enfrentou disputa interna com o bispo da Igreja Universal Souza Santos (PSD), que lançou candidatura avulsa, mas acabou derrotado por 45 votos a 6. A segunda secretaria ficou com Adilson Amadeu, do PTB, partido que também vai comandar a pasta de Esportes com Celso Jatene. A Corregedoria ficou com Rubens Calvo, do PMDB.

Com a nova composição da Mesa Diretora, o PT soma agora em seu governo e na sua base de sustentação da Câmara nove partidos que também dão apoio ao governador Geraldo Alckmin na Assembleia Legislativa. Isso porque o vereador Aurélio Miguel do PR, sigla que não havia sido contemplada com cargos no primeiro escalão, ganhou a segunda vice-presidência. "A composição da Mesa, com o apoio do PSD, nos dá estabilidade para fazer o primeiro debate da Casa em 2013, que será o da inspeção veicular. Em seguida podemos começar já as audiências públicas para a revisão do Plano Diretor", anunciou Américo, após ser eleito.

A estratégia de alianças petista, orientada e costurada nos bastidores pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é tentar atrair ao máximo os partidos de sustentação ao governo Alckmin - PRB, PTB, PSB, PSD, PMDB, PP, PR, DEM e PV. O objetivo é fragmentar o apoio ao tucano e fortalecer a candidatura do partido ao governo do Estado em 2014 - o mais cotado para disputar as eleições estaduais é o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Oposição. Como segunda maior bancada com nove parlamentares, o PSDB ganhou a primeira secretaria, com o vereador Claudinho. O partido, porém, vai ficar na oposição, que se resumirá a 13 parlamentares: os nove tucanos, Ari Friendenbach e Ricardo Young, do PPS, Toninho Vespoli, do PSOL, e Gilberto Natalini, do PV. "Sabemos perder eleição e sabemos também fazer oposição", argumentou Carlos Fernandes, presidente do PPS municipal.

Vespoli também já adiantou seu posicionamento contrário ao governo ao lançar ontem sua candidatura à presidente contra o petista Américo. Mas ele só contou com o próprio voto. "A população está cansada dessas alianças sem coerência política", criticou Vespoli.

Toda a votação ontem ocorreu no formato nominal. Após o registro de voto fantasma durante a aprovação do Orçamento, em dezembro, o uso do painel eletrônico da Câmara Municipal de São Paulo foi suspenso por tempo indeterminado.

Suplentes. A Câmara Municipal realiza nesta quarta-feira, às 16h30, a cerimônia de posse dos seis suplentes que assumirão as cadeiras de vereadores que se licenciaram para assumir outros cargos públicos - cinco na gestão Haddad e um no Senado.

Diálogo. Na diplomação como prefeito, na Câmara Municipal, Fernando Haddad ainda fez um breve discurso aos 55 vereadores que também assumiram ontem. "As portas dos gabinetes (dos secretários) da Prefeitura e das subprefeituras estarão abertas para discutir a situação da cidade", disse.

"Se o prefeito for inteligente, como tem mostrado que é, ele vai ouvir os vereadores. O vereador sabe os problemas nos bairros e pode ajudar nas votações. Se o prefeito não ouvir cada vereador a coisa não anda na Câmara", afirmou o vereador Adilson Amadeu, eleito ontem segundo-secretário da Mesa Diretora.

Eleito presidente da Câmara, o vereador José Américo (PT) disse que em fevereiro também deverão ser retomados os projetos que não puderam ser votados em 2012. Américo falou, ainda, que pretende aumentar a autonomia da Casa por meio de uma agenda própria de debates e de audiências públicas. Sobre os salários acima do teto pagos a funcionários da Câmara, afirmou que vai seguir o que está na lei.

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