Pessoas procuram parentes e amigos

Gerente de um bar diz que após o desabamento cenário do local lembrava as ruas centrais de Nova York após os atentados às torres gêmeas

RIO, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h01

O contador Everton Assunção Ferreira trabalhava com o pai em um escritório de contabilidade, no sétimo andar do Edifício Liberdade. Ontem à noite ele contou que, 30 minutos depois de ter saído do imóvel, ouviu no rádio do carro a notícia que o prédio em que estava havia desabado. O pai dele, no entanto, havia ficado no escritório.

"Voltei imediatamente ao prédio, mas por causa do bloqueio das ruas pela polícia, não tive mais notícias dele", disse Ferreira, muito preocupado.

Segundo o contador, o edifício na Avenida Treze de Maio estava com problemas. "É bom ressaltar que o prédio estava em péssimas condições de manutenção", afirmou.

Estrondo. Pouco antes do desabamento, o bancário Orlando Silvino, de 52 anos, estava em companhia de um amigo na lanchonete de produtos naturais no térreo do edifício.

"O meu amigo foi até o prédio para entregar um documento quando ouvi um estrondo em um dos andares onde havia uma obra. Começou então a cair pedras e subir muita poeira. Não tive mais notícias dele", conta Silvino.

Quem também estava na lanchonete no térreo pouco antes do desabamento era Ricardo Santos, de 50 anos. Ele trabalha em uma empresa de engenharia vizinha ao Edifício Liberdade. Santos havia acabado de sair da lanchonete quando houve o estrondo, a queda das pedras e, por fim, a destruição completa do edifício.

"Estava bem perto do prédio quando comecei a ouvir barulhos. Parecia que estavam caindo pedras dos últimos andares. O edifício estava tombando na minha direção."

Santos diz não ter ouvido explosão nem visto fogo. "O barulho foi contínuo, como se fosse um avião pousando."

Em obras. Débora Marconi, que está hospedada em um imóvel na frente do Edifício Liberdade, disse que pedaços do prédio caíram antes de a estrutura vir abaixo por completo.

Segundo ela, pelo menos três andares do edifício "estavam em obras há muito tempo".

Fim de expediente. Na noite de ontem, o gerente Antônio Barbosa de Lima, de 45 anos, estava a duas quadras de distância do local do acidente. Por volta das 20h30, ele estava se preparando para fechar o estabelecimento no qual trabalha, o Bar Luiz, na Rua do Carioca.

"Como nosso bar fica em um lugar fechado, não consegui ouvir barulho nenhum, nem senti nada tremer", revela Lima. "Mas alguém avisou um colega sobre o acidente e a gente saiu na hora para a rua. Você precisava ver, era muita fumaça, muita poeira. O pessoal estava muito assustado, dava para ouvir muita gente gritando", relata.

Torres gêmeas. O cenário, segundo o gerente do Bar Luiz contou, lembrava as imagens de pessoas caminhando após o ataque ao World Trade Center em Nova York, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. Assim como no ataque terrorista, as ruas ao redor dos prédios caídos estavam cobertas com poeira das estruturas destruídas. As pessoas que passavam pelo local andavam sem rumo pelo bairro que horas antes tinha movimento comercial normal de uma quarta-feira.

Quando Lima falou com a reportagem do Estado, por volta das 21 horas, as autoridades ainda não haviam confirmado o número de mortos nem de feridos no desabamento dos prédios na Avenida Treze de Maio.

"Não consigo imaginar o tamanho da tragédia. Mas as ruas não estavam mais cheias nesse horário. O bar mesmo já estava vazio", conta o gerente do bar na Rua do Carioca. "Essa é uma parte muito comercial da cidade, mas o expediente termina cedo. Quando escurece, já fica tudo vazio", relatou Lima, deixando clara a esperança de que ninguém tivesse se ferido no acidente. / FABIO GRELLET, FELIPE WERNECK, FELIPE FRAZÃO, BRUNO RIBEIRO, ARTUR RODRIGUES

Reuters

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