Pesquisa revela que 23% dos paulistas sofreram com falta d'água nos últimos três meses

Levantamento também mostra que 59% acreditam que vão enfrentar escassez até o final do ano, em casa ou no trabalho

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2014 | 07h00

Uma pesquisa dos institutos Data Popular e Ideia Inteligência revelou que 23% dos paulistas tiveram problema de falta de água nos últimos três meses. O número corresponde a 6 milhões de pessoas. Se for considerada apenas a região metropolitana, que é abastecida pelo Sistema Cantareira, o índice sobre para 35%.

"A falta de água não é mais uma questão teórica, é uma questão prática", afirma o coordenador da pesquisa e diretor do Data Popular, Renato Meirelles. "Essa falta de água é real e por isso as pessoas estão com receio de que continue faltando água no resto do ano. Esse temor em véspera de eleição faz com que a pauta de falta de água entre no calendário eleitoral", diz.

O levantamento foi feito pelo telefone com 18.534 pessoas de 70 cidades do Estado, e tem margem de erro é de 0,7%.

Os paulistas também estão pessimistas: 59% acreditam que vão enfrentar falta de água até o final do ano, em casa ou no trabalho. Segundo a pesquisa, a escassez de água é duas vezes maior entre as famílias de menor renda (que recebem até um salário mínimo) do que entre famílias de renda superior (que ganham mais de dez salários): os índices são 25% que relataram o problema no primeiro grupo contra 12% do segundo.

Os entrevistados também apontaram que o principal culpado pelo problema de abastecimento é o governo estadual (41%), seguido pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), com 29%.

Racionamento. A bancária Simone Szenczi Martins, de 30 anos, enfrenta a escassez de água em sua residência desde o dia 27 de março. Ela afirma que o todos os dias, entre as 23h e as 6h, secam as torneiras de sua casa na Vila Sônia, zona oeste de São Paulo. "Todos os meus hábitos mudaram. Tenho de sair mais tarde para o trabalho porque preciso esperar a água voltar para tomar banho. À noite, saio faculdade às 23h e tenho que ir pra casa da minha mãe. Senão tenho que me virar com água armazenada", explica Simone.

Ela disse que entre o dia 27 de março e esta terça-feira, 6 de maio, apenas no feriado do Dia do Trabalho teve água o dia inteiro. "Ultimamente eu não tenho mais ligado para a Sabesp. Quando ligo, a informação é sempre a mesma: 'Não há nenhuma notificação de manutenção ou razão para tal corte no abastecimento'. Ninguém resolve meu problema e nem explica o que está acontecendo. Mas eu digo: é racionamento", salienta.

A Sabesp informou por meio de nota que "não tem registro de ocorrência que tenha prejudicado o abastecimento de água de forma generalizada na região da Vila Sônia" e que "eventuais momentos de intermitências no abastecimento de água, especialmente nos pontos altos dos bairros, podem acontecer em função de operações técnicas pontuais para transferência de vazões dos Sistemas de Abastecimento Integrado Metropolitano, com o objetivo de assegurar o fornecimento de água para toda a população".

Sistema Cantareira. O volume acumulado no Sistema Cantareira caiu para 9,8% na terça-feira e ficou abaixo dos 10% pela primeira vez na história. Maior dos sistemas administrados pela Sabesp, o Cantareira abastece 8,8 milhões de pessoas na Grande São Paulo e 14,5 milhões no Estado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.