Pesquisa mostra rejeição a projeto

Dois em cada três entrevistados são contra a "importação" de médicos estrangeiros, aponta pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industrial (ICTQ), que faz estudos sobre o setor médico e farmacêutico. Três capitais do Nordeste estão entre as cinco com os maiores índices de entrevistados contrários ao programa do governo federal - justamente uma das regiões com maior carência de profissionais de saúde. Na outra ponta está Porto Alegre, onde 61% da população apoia a contratação de médicos estrangeiros.

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2013 | 02h03

Foram entrevistadas 2.650 pessoas de 15 capitais, mais o Distrito Federal, entre 5 e 10 de agosto. Em Aracaju, está a maior resistência à importação de médicos - 91% dos entrevistados. Em seguida estão Rio (87%), Curitiba (84%), João Pessoa (75%) e Maceió (72%).

"Já houve declarações de que as pessoas contrárias seriam as de classe social mais privilegiada. Mas a pesquisa mostra que é o oposto", afirmou a diretora de pesquisa e extensão do ICTQ, Thaís Bueno Oliveira. Segundo ela, os entrevistados demonstraram temores com as dificuldades com o idioma. "Observei que as pessoas falam coisas como 'se nem o médico brasileiro consegue diagnosticar, imagine o estrangeiro'."

Porto Alegre é a única capital em que a maioria apoia a contratação de estrangeiros. As menores resistências estão em Goiânia (47% aprovam a medida), Campo Grande (44%), São Paulo-SP (43%) e Manaus (40%).

Para o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriçá Miranda, a pesquisa mostra que a qualificação dos médicos que serão trazidos do exterior também preocupa os pacientes. O Ministério da Saúde não comentou o resultado da pesquisa.

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