Pescador encontra barco de 300 anos em Porto Feliz

Relíquia usada por bandeirantes foi tirada de ribeirão; restauração será orientada por Arqueólogos

José Maria Tomazela / PORTO FELIZ, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2010 | 00h00

O baixo nível do Ribeirão Engenho D’Água, afluente do Rio Tietê, em Porto Feliz, a 120 km de São Paulo, revelou o que pode ser uma relíquia histórica. Enterrado no lodo, um autêntico batelão de quase 300 anos, usado pelos bandeirantes para explorar o interior do País. A embarcação, com 8,4 metros de comprimento e 1,3 metro de largura, pesando cerca de duas toneladas, feita de um tronco só, foi resgatada na segunda-feira. Arqueólogos do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP) vão orientar o processo de restauração.

 

O pescador Sidnei Aparecido de Souza procurava um ponto para lançar a isca no ribeirão, quando viu os contornos do que seria um grande barco de madeira aflorando no lodo. Por causa da estiagem - não chove há 62 dias na região -, o nível do rio estava muito baixo. Ele avisou a prefeitura.

 

O historiador da USP Jonas Soares de Souza acompanhou o resgate. Ele não tem dúvida de que é um batelão usado nas expedições às minas de Cuiabá - a capital mato-grossense foi fundada por bandeirantes paulistas. Desde 1609, o porto de Araritaguaba, atual Porto Feliz, era ponto de partida das monções, como eram conhecidas essas expedições fluviais. A última ocorreu no fim do século 18.

 

A expedição mais célebre foi a do governador Rodrigo Cézar de Menezes, que partiu de Araritaguaba para Cuiabá em 1726 com 308 canoas e cerca de 3 mil pessoas. O batelão era a embarcação principal. Acomodava até 90 sacos de mantimentos, além da tripulação - piloto, contrapiloto e cinco ou seis remadores. Segundo Souza, no Parque das Monções, em Porto Feliz, existe metade de um exemplar dessa embarcação. A outra metade está no Museu Paulista, no Ipiranga

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