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Operação da polícia contra delivery de drogas em shoppings tem tiros no Eldorado

Investigação levou a polícia a ponto de venda marcado para esta sexta em shopping da zona oeste da capital.Suspeito reagiu à prisão e agentes dispararam contra os pneus do carro. Maconha e drogas sintéticas foram apreendidas. Ninguém ficou ferido

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 16h00
Atualizado 21 de fevereiro de 2020 | 20h03

SÃO PAULO - Uma operação da Polícia Civil contra suspeitos de atuarem em um esquema de delivery de drogas em shoppings da capital terminou com tiros no Shopping Eldorado, na zona oeste, na tarde desta sexta-feira, 20. Os disparos no local causaram pânico e corre-corre de clientes, mas em pouco tempo o funcionamento dos estabelecimentos foram normalizados. Ninguém ficou ferido.

A atuação da Polícia Civil foi um desdobramento de uma prisão ocorrida na noite de quinta-feira, 20, na frente do Shopping Bourbon, na zona oeste. Lá, foi presa uma suspeita identificada como Amanda Rodrigues, que teria dito fazer parte de um grupo que atuava vendendo drogas em shoppings da cidade. A prisão da suspeita levou os investigadores a Bruno Lourenço da Silva, de 23 anos, que faria uma venda nesta sexta no Eldorado. 

A polícia contou que ele estava parado no estacionamento do térreo do shopping quando foi abordado por policiais por volta de 14h. De acordo com informações preliminares, ele tentou fugir, arrancando o carro para cima dos policiais, que dispararam contra o pneu do carro.

Relatos de testemunhas no shopping apontam que foram dados quatro tiros; oficialmente, foi registrada a informação de dois disparos. Dentro do carro foram encontradas 28 porções de maconha, 44 de ecstasy, 12 de haxixe e 10 de LSD e MDMA. Ele foi preso por tráfico de drogas, tentativa de homicídio e resistência.

Em nota, a assessoria do Shopping Eldorado confirmou o ocorrido, mas ressalta que a ação se deu no entorno do shopping e terminou em seu estacionamento externo. Disse ainda "contribuir com as autoridades locais no que for necessário". O shopping afirmou ainda que não houve feridos e que funciona normalmente.

Entre os lojistas, cada um tinha a sua versão do ocorrido: tentativa de roubo de carro com um segurança dentro que teria revidado; perseguição que terminou dentro do shopping; e ação contra uma carro-forte, já que o estabelecimento tem casa de câmbio e lotérica. A única coisa em comum é que tiros foram ouvidos e houve gritaria e corre-corre no piso térreo do shopping.

'Um monte de gente tremendo, a gente tudo se abaixou'

“Até achei, em princípio, que era alguma brincadeira de carnaval, bagunça de bloquinho. Mas alguém falou que era tiroteio, um monte de gente entrou na loja e fechamos a porta da loja. Só ficamos tentando ouvir o que acontecia lá fora. Mas depois de um tempo pareceu tranquilo e abrimos de novo”, conta Gisele Rocha, de 30 anos, que trabalha na Body Shop, bem em frente às portas do térreo.

Já Rafaela Albuquerque, de 22 anos, hostess restaurante Outback, diz ter ficado apavorada. Pessoas nos corredores do shopping correram para dentro do restaurante, que fica muito perto da entrada principal do shopping. A ação ocorreu na hora do almoço e muita gente de empresas vizinhas estava lá.

“Um monte de gente tremendo, chorando, a gente tudo se abaixou. As lojas todas fecharam. Na hora, a gente pensa que é alguém que vai matar todo mundo. Mas logo vimos que era do lado de fora, no estacionamento, e deduzimos que deveria ser tentativa de roubo de carro, algo assim. Mas foi muito rápido, logo voltou ao normal”, conta.

A atendente Ana Clara Oliveira Sousa, de 26 anos, estava trabalhando quando ouviu três tiros: “Só sai correndo pra dentro do Outback, achando que era um desses loucos de massacre. Fiquei morrendo de medo. Todo mundo correu. O shopping ficou vazio, vazio", diz a funcionáaria da Cheesecakeria, no térreo do shopping. 

Algumas horas depois da ação policial, o clima era de absoluta normalidade no local. As pessoas continuavam fazendo suas compras e muitas nem sequer sabiam que algo tinha acontecido. "Tiroteio, aqui?", perguntavam, arregalando os olhos.

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