Perseguição policial em SP deixa três feridos

Criminoso bate carro roubado em 14 veículos e provoca pânico em dois bairros

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2010 | 00h00

Uma perseguição provocou pânico no fim da tarde de ontem nas regiões central e oeste de São Paulo. Um motorista em fuga atingiu nove automóveis, quatro motos e uma viatura da PM no trajeto entre Santa Cecília e Barra Funda. Cinco tiros foram disparados e houve correria. Motoristas largaram carros na rua para escapar da confusão. Três pessoas ficaram feridas, incluindo o motorista perseguido, que acabou preso.

Foragido da Penitenciária de Junqueirópolis desde a saída para o Natal, Welington Gonçalves dos Santos tinha passagens por roubo, furto e receptação. Ontem, estava em um Fiesta roubado na cracolândia, quando foi abordado pela Polícia Militar. O sargento Marcelo Aparecido Ferreira desconfiou do carro na esquina da Rua Helvétia com a Avenida Rio Branco.

Depois da abordagem, teve início a perseguição, que durou 20 minutos e foi transmitida ao vivo pela televisão.

Sete policiais iniciaram a caçada, que depois mobilizou toda uma companhia do 13.º Batalhão. O fugitivo passou na frente da sede batalhão na contramão e depois seguiu pela Avenida Rio Branco, Alamedas Barão de Limeira e Nothmann, Ruas Amaral Gurgel, Vitorino Carmilo e Barra Funda. Ele tentou até despistar os policiais entrando e saindo de um estacionamento na Barra Funda por duas vezes.

Depois, ao chegar ao acesso da Avenida Auro Soares de Moura Andrade, o trânsito parou. Foi quando o ladrão acelerou para tentar escapar. Acuado, bateu em nove carros. Quando ficou bloqueado, deu marcha à ré em alta velocidade e atingiu quatro motos da polícia. O sargento Aparecido, que iniciou a abordagem na cracolândia, ficou prensado entre o carro e o ônibus, mas não se feriu. "Achei que teria uma fratura exposta ou fosse morrer. Graças a Deus, minha mulher não estava assistindo à TV. Foi um show de horror", disse o sargento.

"Vai morrer". Em um dos momentos mais tensos, Ricardo, motorista de uma Pajero preta que pediu para não ter o sobrenome divulgado, tentou, apavorado, correr para longe de seu carro - que havia sido atingido pelo fugitivo. Ouviu um tenente gritando "vai morrer". Ele se virou e disse que não tinha nada a ver com o caso. O tenente entendeu e recomendou que ele ficasse do outro lado do guardrail.

O tenente que teve sangue frio para não disparar se chama Tiago José Tomazela, que no momento da abordagem portava uma pistola ponto 40. "Olhei para as mãos dele e vi que não estava armado. Disse então para ele ir embora." Nervoso, o motorista da Pajero ainda chutou o fugitivo quando ele foi imobilizado pela polícia. Ricardo estava indo para o show do Rush, no Morumbi. Por volta das 20 horas, ainda iria para a delegacia depor. "Acho que não vai mais rolar o show."

Na abordagem foram disparados cinco tiros. Welington ficou ferido na mão e foi levado ao hospital. Ele não estava armado e não conseguiu fugir do carro porque as portas ficaram prensadas contra outros veículos, o que facilitou o trabalho da polícia. U

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