Perseguição de 55 km envolve 28 viaturas policiais na Dutra

Fuga começou após assalto a escolas de idiomas em São José dos Campos, e terminou por falta de gasolina

Daniela do Canto, estadao.com.br

16 Janeiro 2009 | 07h41

Uma perseguição digna de filmes policiais mobilizou 28 viaturas da Polícia Militar na Rodovia Presidente Dutra na noite desta quinta-feira, 15. Depois de assaltar duas escolas de idiomas em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, Davi Brito de Campos, de 22 anos, foi encontrado por PMs e resolveu tentar uma fuga. Ele rendeu um casal em um hipermercado na altura do Km 152 da rodovia e obrigou a mulher, uma estudante de 23 anos, a dirigir em direção a São Paulo enquanto mantinha o namorado dela, um auxiliar administrativo da mesma idade, sob a mira de um revólver calibre 38. A perseguição só terminou cerca de 40 minutos depois, na altura do Km 207 da Dutra, em Guarulhos, na Grande São Paulo, quando a gasolina do carro acabou, depois de percorridos 55 quilômetros. Campos foi preso e encaminhado ao 7º Distrito Policial da cidade.   De acordo com o tenente Luís Roberto Moreira, do 1º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), Davi estava acompanhado de uma mulher quando assaltou as duas escolas, na Avenida Rio Branco, no Jardim Esplanada, por volta das 21h40. O casal recolheu dinheiro, celulares e cheques de alunos e funcionários e fugiu em uma moto. A PM foi avisada pelas vítimas em seguida e passou a fazer um patrulhamento para tentar localizar os suspeitos.   Quando percebeu que foi encontrado pelos PMs, Campos abandonou a moto. A mulher conseguiu fugir e o acusado entrou a pé no hipermercado, onde rendeu o casal que chegava para fazer compras em um Corsa vinho, às 22h. "Quando entrava no supermercado, ele ainda atirou contra os policiais", afirmou o tenente.   As vítimas contaram que a ação de Campos foi rápida. "Ele chegou, enquadrou a gente e daí começou a perseguição. Ele falou: pega a Dutra e não para", contou o auxiliar administrativo. "Ele falava que não ia machucar a gente se a gente tirasse ele dali", acrescentou. Enquanto a estudante dirigia, o namorado dela ficou no banco do passageiro junto com o bandido, sob a mira da arma. No percurso, a motorista foi obrigada a passar direto por duas praças de pedágio. "Estouramos as cancelas", relembrou.   Assim que a gasolina acabou, já em Guarulhos, o casal resolveu reagir. "Ele (Campos) vacilou porque deixou a arma para cima", justificou o homem. Nesse momento, o Corsa já estava cercado pelas viaturas que participaram da perseguição. Enquanto o auxiliar administrativo agarrou a arma do bandido com as duas mãos, a estudante usou uma das mãos para segurar o revólver e a outra para dar uma gravata em Campos. "Para se livrar ele mordeu o meu braço", contou ela. O namorado da estudante conseguiu desarmar o acusado, que foi preso em seguida. O revólver usado nos crimes, municiado com cinco balas, foi apreendido. Segundo a PM, Campos - que completou 22 anos hoje - já foi preso por roubo.   O tenente Moreira contou que à medida que a perseguição se desenvolvia, viaturas das cidades pelas quais o bandido passava levando os reféns eram acionadas para dar apoio. "No total tínhamos viaturas de São José, Jacareí, Arujá, Itaquaquecetuba e Guarulhos", afirmou. De acordo com ele, nenhum dos policiais atirou na tentativa de parar o carro para preservar a vida das vítimas. "É esse o procedimento adotado neste tipo de caso", explicou. O tenente afirmou ainda não ter notícias da moto abandonada por Campos e nem da mulher que fugiu.

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