Perseguição a assaltantes deixa 3 mortos e 12 feridos

Quadrilha ligada ao PCC roubou banco em Guarulhos, trocou tiros com a polícia e fez reféns no Tremembé

Bruno Tavares, Eduardo Reina, Josmar Jozino, Marcelo Godoy, Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise,

07 de novembro de 2008 | 22h38

A maior e mais violenta perseguição policial do ano no Estado de São Paulo deixou 3 mortos e 12 feridos. Os policiais estavam atrás de ladrões de banco do Primeiro Comando da Capital (PCC) que haviam atacado uma agência do Banco Real em Guarulhos, na Grande São Paulo. Acuados, os bandidos pararam seus carros, desceram e atiraram com fuzis. Não poupavam nenhum policial ou viatura que se aproximava. Na fuga, dois dos ladrões ainda entraram em uma casa no Tremembé, na zona norte, e fizeram quatro reféns. Houve novo tiroteio. Às 17h45, quando a crise acabou, havia um PM mortos e outros nove baleados. Chegou a ser noticiada a morte de mais um policial, informação depois corrigida pela Secretaria de Segurança Pública. Do lado dos ladrões, Carlos Antônio da Silva, o Balengo, o maior líder do PCC em liberdade, estava morto e outro criminoso foi preso – outros oito suspeitos acabaram detidos. Balas perdidas mataram ainda um homem que estava na garupa de uma moto e feriram duas pessoas – uma quarta foi atropelada. O roubo foi rápido. Seis ladrões entraram no banco, na Rua Capitão Gabriel, no centro de Guarulhos. Em poucos minutos, os bandidos saíram da agência levando R$ 110 mil do caixa e do cofre. Era o quarto roubo desse tipo neste ano em Guarulhos. O bando estava com fuzis e pistolas. Fugiu em dois carros e roubou pelo menos mais uma dezena. Aí começou o caos.  A primeira troca de tiros com policiais militares ocorreu em Guarulhos, na Praça IV Centenário. Outras duas se seguiram na cidade. Um tiro de fuzil matou uma pessoa que estava na garupa de uma moto e uma mulher foi atropelada por um carro da polícia. Os bandidos rumaram para a zona norte de São Paulo. No Tremembé, trocaram novamente tiros com policiais. Dois dos assaltantes foram para a Rua Alberto Pierrotti, onde invadiram uma casa em reforma ao lado de uma igreja evangélica. Houve novo tiroteio com policiais que tentaram prender os bandidos – três policiais e um ladrão ficaram baleados. Na casa foram feitas reféns Alzira Santos da Silva, de 61 anos, sua neta Milene, de 8, e as adolescentes Jéssica, de 17, e Kelly, de 14 anos. A casa foi cercada por mais de uma centena de policiais de 9º, 15º e 43º Batalhões da PM, além de unidades do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e do Comando de Operações Especiais (COE), ambos da PM. Havia ainda dezenas de policiais civis dos Grupos de Operações Especiais (GOE) e de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Atiradores de elite se posicionaram nos telhados e a rua foi isolada. Por quase duas horas, o ladrão, mais tarde identificado como Elielton Aparecido da Silva, de 32 anos, impediu até que os feridos fossem socorridos. Quando permitiu o socorro, os policiais retiraram pelos fundos os três PMs baleados – um já havia morrido. O delegado Ruy Ferraz Fontes negociou com o bandido e obteve sua rendição. Só então a polícia descobriu que Balengo estava morto dentro da casa.

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