Pernambuco abre barragem e alaga entorno do Recife

Governo diz que medida foi necessária e represa terá mais espaço para comportar novas chuvas; já são 144 mil afetados no Estado

Angela Lacerda / RECIFE, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2011 | 00h00

A abertura da barragem de Carpina, na Região Metropolitana de Recife, fez ontem o Rio Capibaribe subir, alagar moradias e favelas ribeirinhas na região metropolitana e obrigar lojas e escolas a fechar mais cedo. Segundo o secretário estadual de Recursos Hídricos, João Bosco de Almeida, com a vazão de 400 metros cúbicos por segundo, a barragem agora terá mais espaço para comportar novas chuvas.

Ontem, pelo telefone, o governador do Estado, Eduardo Campos (PSB) e a presidente Dilma Rousseff combinaram a construção de cinco barragens na bacia do Rio Una para minimizar o impacto das enchentes. Governo federal e estadual vão dividir o investimento, de R$ 650 milhões.

Traumatizados por outras cheias do Capibaribe, moradores de Recife se assustaram. Ana Maria de Souza, de 32 anos, mãe de sete filhos, não pregou o olho em toda a madrugada. Moradora de uma invasão no bairro da Torre, ela viu a água subir em seu barraco às 3h30. "Não deu tempo de tirar tudo", lamenta. Sua família agora faz parte das 144.532 pessoas afetadas pelas chuvas no Estado.

Segundo a Defesa Civil, o número de famílias desabrigadas (que precisam de abrigos públicos) chega a 4.080. As desalojadas (que foram para casa de parentes ou amigos) somam 8.503. Dezesseis municípios estão em emergência.

Almeida frisou que a população ribeirinha foi avisada sobre a abertura da barragem. Ana Maria ouviu o alerta. "Avisei a vizinhança, mas muita gente não acreditou." Agora ela vai esperar a água baixar e voltar para casa. "Não tenho outro lugar para ir."

Anteontem, 510 famílias que moram em morros foram levadas a abrigos. Ontem foi a vez dos ribeirinhos.

Zona da Mata. A 110 quilômetros do Recife, Barreiros, decretou estado de calamidade pública. Os bairros Maria Amália e Vila Baeté estão isolados. Eles seriam alcançados por pontes no Rio Una, mas a enchente do ano passado destruiu as estruturas. "Ainda tenho comida que dá para até domingo, mas tem muita gente passando necessidade", disse o agricultor José Carlos Marcelino da Silva, de 35, da Vila Baeté.

Em Cupira, a 173 quilômetros do Recife, os 21 detentos da cadeia pública foram transferidos para cidades próximas. O medo era que a chuva fizesse estragos no prédio e facilitasse fugas.

Alagoas

R$ 1 milhão

é a verba que o Estado receberá do governo federal para medidas de emergência. O dinheiro será usado para dar assistência imediata aos 4.029 desalojados e 838 desabrigados nos 11 municípios alagoanos atingidos.

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