Peritos observam 65 espécies de aves em apenas 8 dias

Gavião-pomba, pica-pau verde, araponga e pavó foram observados dentro do lote; Fundo Brascan não vai se pronunciar

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - No mês de outubro, peritos do Ministério Público Federal e biólogos observaram 65 espécies de aves em apenas oito dias de visitas ao terreno previsto para virar condomínio ao lado do Parque Burle Marx, na zona sul de São Paulo. 

Raros até em áreas fechadas de Mata Atlântica dentro da Serra do Mar, o gavião-pomba, o pica-pau verde, a araponga e o pavó foram observados no terreno da Camargo Corrêa, onde teria ocorrido desmatamento ilegal de árvores em área de preservação permanente, na várzea do Rio Pinheiros.

Os laudos para o MPF elaborados pelos biólogos Ricardo Cardim e Carlos Gussoni apontaram a existência também de espécies frutíferas com mais de 60 anos dentro do terreno, como jabuticabeiras, palmeiras-juçara, araças e uvaias.

Entre as árvores comuns na Mata Atlântica do Estado e na área prevista para virar condomínio estão bromélias ameaçadas de extinção e a rara pimenta-de-macaco.

Outras árvores típicas de remanescentes de Mata Atlântica localizados no terreno são o xaxim, o pau-jacaré, a tapiá, a aroeira, a cajerana, a guaçatonga e o embiruçu.

“Esse terreno tem o último fragmento de mata ciliar do Rio Pinheiros. O que estão fazendo ali é o famoso desmatamento por cabrito, que consiste em fazer uma série de danos na vegetação até a floresta virar um capinzal. As árvores maiores são retiradas para descaracterizar a Mata Atlântica”, afirma o biólogo Cardim, da USP. 

“Quando alguém da Prefeitura for ao local para fazer o diagnóstico antes de conceder as licenças, já não vai mais haver a mata fechada de antes”, acrescentou o biólogo.

Os técnicos Pedro Develey (ornitólogo), Vitor Yuki (biólogo) e Sergio Kleinfelder (geólogo) também fizeram laudos a pedido dos procuradores do MPF. Eles constataram que a obra do novo condomínio deixaria o Parque Burle Marx isolado de áreas verdes e emparedados por prédios.

A intervenção também teria impacto direto na microbacia do Córrego Tangará, um dos afluentes do Pinheiros.

Outro lado. Procurado, o Fundo Brascan informou que não vai se pronunciar até ser notificado sobre a ação do MPF. 

A Camargo Corrêa informou também que desconhece a ação e diz não ter realizado nenhuma intervenção no terreno. 

“A empresa tem acordo formal para adquirir a área em questão, onde estuda alternativas de projeto que não só respeite a legislação vigente como também se diferencie pela qualidade e preservação ambiental”, informou a Camargo Corrêa.

A Cetesb também disse que não vai se pronunciar até conhecer o teor da ação. Procurado, nenhum representante do Ibama comentou o caso.

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