Peritos de SP entrarão na Justiça contra Sanguinetti nesta 6ª

Funcionários do IC que assinam laudo da morte de Isabella pretendem pedir indezinação por calúnia e difamação

Carolina Freitas, Agência Estado

27 de maio de 2008 | 20h56

Depois de classificar na segunda-feira, 26, o laudo da Polícia Científica paulista sobre o caso Isabella de "medíocre, dúbio e imaginativo", o médico George Sanguinetti e a ex-perita Delma Gama podem responder na Justiça pelas acusações. A presidente da Associação dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Apcesp), Maria do Rosário Mathias Serafim, decidiu nesta terça-feira, 27, que ingressará na sexta-feira com um processo pedindo a interpelação judicial dos dois profissionais. A ação pedirá que eles sejam chamados para prestar esclarecimentos a um juiz, na presença de representantes da associação.   Veja também: Sanguinetti diz que Isabella sofreu tentativa de estupro Cembranelli diz que exposição de perito da defesa foi 'antiética' Para STJ, liberdade do casal Nardoni deve ser avaliada pelo TJ Por unanimidade, STJ nega habeas-corpus ao casal Nardoni   Além disso, os quatro peritos do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo que assinam o laudo estão dispostos a entrar com uma queixa crime contra Sanguinetti e Delma. Os peritos Rosângela Monteiro, Marcia Iracema Casagrande, Sérgio Vieira Ferreira e Mônica Miranda Catarino pretendem pedir indenização por calúnia e difamação. "Conversei com eles, que estão muito magoados e indignados", afirma Maria do Rosário. "Eles entendem que não houve nada de positivo nas críticas. Foram comentários indevidos, feitos sem o menor respeito."   Segundo a presidente da associação de peritos, a argumentação de Sanguinetti e Delma é vaga e facilmente rebatível. Ele sustentou que a menina Isabella de Oliveira Nardoni não foi esganada, como indicou a perícia paulista, pois não havia marcas no pescoço da menina. "A esganadura pode não deixar marcas de unha, se for feita com a polpa dos dedos", afirma Maria do Rosário. "E os peritos de São Paulo encontraram sim marcas no pescoço que indicam asfixia mecânica."   Já Delma contrariou a afirmação dos peritos paulistas de que Isabella foi jogada de pé da janela. Segundo ela, a menina foi lançada de cabeça para baixo, pois as marcas na parede externa do edifício indicariam uma das pernas da menina, e não uma mão, como afirmou a perícia oficial. "Não faz sentido inverter a posição da menina", rebate Maria do Rosário. "Aquela marca não pode ser de um joelho, pois ficaram marcados os cinco dedos da mão."   Sanguinetti e Delma foram contratados pela família Nardoni para analisar os laudos oficiais. Eles apresentaram suas conclusões na segunda-feira, em entrevista coletiva. Isabella, de 5 anos, foi morta em 29 de março em São Paulo. Segundo a polícia, ela foi asfixiada e jogada do 6º andar do prédio em que moram seu pai, Alexandre Nardoni e a mulher dele, Anna Carolina Jatobá. O casal é acusado pela morte da menina e será interrogado nesta quarta-feira, 28, a partir das 13h30 pelo juiz Maurício Fossen, no Fórum de Santana, na capital paulista.

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