Perita defende uso de reagente e diz que local do crime foi bem preservado

Perita defende uso de reagente e diz que local do crime foi bem preservado

Segundo ela, manchas de sangue na porta de apartamento indicam que Isabella foi ferida fora do imóvel, o que elimina versão de roubo

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

25 Março 2010 | 00h00

O terceiro dia do julgamento havia começado com o depoimento da perita Rosângela Monteiro. Em um dos pontos altos do dia, Rosângela revelou um dos maiores trunfos da acusação: as marcas de sujeira na camiseta que Alexandre Nardoni usava na noite do crime só poderiam ter surgido se ele tivesse passado as mãos pelo buraco na tela da janela de seu apartamento segurando algo que pesasse 25 quilos, o peso de Isabella.

Só dessa forma é que o contato da tela com a camiseta produziria a marca detectada pela perícia. Ou seja, não bastava Alexandre Nardoni se aproximar da tela para ver o buraco ao supostamente descobrir que a filha havia caído do 6.º andar, em março de 2008 ? uma das teses da defesa para explicar as marcas na roupa. "Não bastava encostar na tela. É preciso jogar algo de pelo menos 25 quilos", disse.

Rosângela estava depondo havia uma hora quando contou a conclusão. Ela começou a fala com um claro recado para a defesa do casal Nardoni. "Esse foi o local de crime mais bem preservado em que já atuei", afirmou, como resposta a uma das perguntas do juiz Maurício Fossen.

Ela prosseguiu com uma aula sobre o uso de reagentes químicos e luzes forenses. Disse que o Bluestar (reagente) é usado para detectar vestígios de sangue, enquanto o Hexagon-Obit (outro reagente) é aplicado para saber se as manchas são ou não de sangue humano. Ambos foram usados no apartamento dos Nardonis, mas não indiscriminadamente, como chegou a dizer a defesa.

"O reagente você só aplica nas manchas latentes, o que para nós quer dizer invisíveis a olho nu", explicou. Rosângela diz que o perito plantonista chegou à cena do crime com a tarefa de apurar um roubo seguido de morte. O primeiro sinal de que essa versão não correspondia aos fatos veio quando ele observou uma gota de sangue na soleira da porta do apartamento. "Estava evidente ali que a vítima tinha sido ferida fora do apartamento. As demais manchas visíveis de sangue nos indicavam uma sequência, que termina na janela do quarto", afirmou Rosângela.

A perita também afastou qualquer descuido na análise dos acessos ao Edifício London. "Fotografamos os muros, que tinham de 2 metros a quase 5 metros, e todos os portões de acesso. Está tudo no laudo", asseverou. A perita confirmou que as gotas de sangue encontradas no apartamento caíram de uma altura superior a 1,25 metro. As manchas, salientou, tinham característica "estática", ou seja, caíram de alguém que era carregado no colo. "Verificamos a possibilidade de Isabella ter entrado caminhando no apartamento com um ferimento na testa, mas o ponto hemorrágico ficaria abaixo de 1,25 metro."

Réus. Enquanto Rosângela falava, Alexandre Nardoni colocava o dedo na boca. Demonstrava interesse nas explicações e chegou a mover a cadeira para olhar fotos da camiseta exibidos em um telão. A mulher parecia tensa. Anna Jatobá permaneceu sempre com o cabelo preso.

O promotor Francisco José Cembranelli, enquanto isso, destacava para os jurados a experiência de 24 anos, como perita, da testemunha. E aproveitava o depoimento para questioná-la sobre possíveis alegações da defesa na estratégia de desacreditar os laudos criminais.

Pela segunda vez durante o julgamento do caso um dos sete jurados se manifestou. Ele pediu ao juiz para fazer uma pergunta à testemunha. O jurado disse que queria saber se a camiseta examinada pela perícia era a que Nardoni usava na noite do crime. "Sim. Sabemos que era ela pelas imagens da televisão", disse Rosângela. /

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