Perícia descobre substância em brinquedo onde jovem morreu

Em vez de gelo-seco, atração do Hopi Hari utilizava um líquido usado em máquinas de fazer fumaça

Tatiana Fávaro, do Estadão,

02 de outubro de 2007 | 20h21

Peritos do Instituto de Criminalística (IC) de Campinas constataram nesta terça-feira, 2, que a substância utilizada no brinquedo do parque Hopi Hari em que passou mal o estudante Arthur Wolf, de 15 anos, não era gelo seco, mas sim um líquido usado em máquinas de fazer fumaça. Wolf morreu na sexta-feira, após ser retirado da atração chamada Labirinto, ter sofrido uma parada cardíaca no parque e outra, no Hospital Paulo Sacramento, em Jundiaí, para onde foi levado em uma UTI móvel do Hopi Hari.   Segundo informou o seccional de Campinas, Paulo Tucci, as equipes do IC apreenderam nesta terça, durante a inspeção, a máquina de fumaça utilizada no brinquedo e o líquido usado no equipamento. O delegado afirmou que parentes de Wolf e testemunhas serão chamados para depor essa semana na delegacia de Vinhedo, área à qual pertence o Hopi Hari. As datas dos depoimentos ainda não tinham sido definidas até o fim da tarde desta terça.   "O líquido foi apreendido para sabermos se algum tipo de substância que compunha o material pode ter causado reação no garoto", afirmou o delegado. O laudo deve sair em um prazo de 30 a 60 dias, segundo o seccional. O Hopi Hari informou que a substância utilizada no brinquedo é "neutra e inofensiva" e nunca causou sequer desconforto aos visitantes. Em cinco anos de temporadas da Hora do Horror, ao menos 300 mil pessoas passaram pela atração. Só na temporada de 2007, 65 visitantes passaram pelo Labirinto. Segundo a assessoria do Hopi Hari, nenhum caso de mal-estar havia sido registrado até sexta-feira.   O brinquedo - um corredor de aproximadamente 130 metros no qual atores disfarçados de monstros davam sustos nos visitantes - tinha fumaça em seus ambientes. A atração chamada Labirinto, montada para a temporada da Hora do Horror (entre 3 de agosto e 30 de setembro) deveria ter sido desmontada nesta segunda-feira. Mas segundo informou o parque, por meio de assessoria, o brinquedo foi mantido montado para permitir o trabalho da perícia.   Wolf estava em uma excursão de aproximadamente 200 estudantes do Centro Educacional Etip, de Santo André. O garoto passou mal por volta de 19 horas. Chegou ao hospital em Jundiaí às 20h24 e lá teve a segunda parada cardiorrespiratória. Foi enterrado no sábado.   O Instituto Médico Legal de Jundiaí (IML) apura a causa da morte. Em laudo preliminar o IML indicou morte por edema pulmonar (acúmulo de água nos pulmões). A estimativa do diretor do IML, José Roberto Asta Bussamara, é de que o laudo saia em 20 a 30 dias. "A médica legista que fez a necropsia percebeu edemas pulmonar e cerebral", disse Bussamara.   "Como médico, e não apenas legista, diria que o garoto morreu possivelmente por um choque anafilático. Se fosse por causa de gelo seco, que já vimos que não era o caso, o CO2 em demasia afetaria a todos. Agora, qualquer outra substância - líquida ou não, a tinta da parede, por exemplo - poderia causar alergia a uma só pessoa, caso ela fosse alérgica, levando a uma crise forte e ao choque anafilático", afirmou o legista.   O IML aguarda laudo de exames microscópicos pedidos após a necropsia. "A médica legista que fez a necropsia pediu exames microscópicos de parte do coração, fígado, cérebro e pulmão, para ver se há predisposição para algum tipo de doença cardíaca ou se houve algum tipo de alergia em função do líquido aspirado no brinquedo", afirmou o delegado seccional. Segundo informaram parentes do garoto aos médicos do Hospital Paulo Sacramento, Wolf era um garoto saudável.

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