Perícia de acidente atrasa e bloqueia faixas da 23 de Maio por mais de 8h

A burocracia relacionada a acidentes de trânsito com vítimas foi responsável pelo fechamento por mais de oito horas de duas pistas da Avenida 23 de Maio, que liga as zonas norte e sul da cidade, entre o fim da madrugada e o começo da manhã de ontem. A batida envolveu dois caminhões e teve quatro feridos - um deles morreu. Embora o acidente tenha ocorrido às 4h15, as faixas no sentido Santana só foram liberadas às 12h55.

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2011 | 03h04

Segundo informações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), durante toda a manhã a avenida registrou cinco quilômetros de lentidão. Pelo menos 27,3 mil veículos circulam, em média, pela 23 de Maio no período da manhã - o que pode representar até 100 mil pessoas prejudicadas. Mas os reflexos foram sentidos também no restante da cidade: às 11horas, o congestionamento somava 68,2 quilômetros de extensão, enquanto a média máxima para o horário é de 51,2 quilômetros.

Ainda de acordo com a CET, um caminhão basculante, carregado com material para confecção de asfalto, bateu em um caminhão-baú na altura do Viaduto Dona Paulina, no centro. Os veículos estavam na pista sentido Santana. O caminhão-baú bateu em uma das pilastras do viaduto. Já o basculante tombou na pista.

Passageiro de um dos veículos, o caminhoneiro João Braz Dias, de 51 anos, morreu no local. Os motoristas dos dois caminhões e o passageiro do caminhão-baú ficaram presos nas ferragens e tiveram de ser resgatados pelo Corpo de Bombeiros. Eles foram levados para o pronto-socorro do Hospital do Servidor Público, na Vila Mariana, e estavam em observação até a tarde de ontem.

Cooperação. Ocorrências de trânsito como a de ontem na 23 de Maio envolvem a cooperação das três polícias. Primeiro, a Polícia Militar é chamada até o local do acidente, colhe as informações e as apresenta na delegacia mais próxima da área - no caso, foi a 1.ª Central de Flagrantes, que fica no 8.º Distrito Policial, no Brás, região central. Depois, a Polícia Civil registra o caso, mas precisa solicitar perícia, feita pela Polícia Científica, para colher informações que são usadas no inquérito do caso. Enquanto a perícia não é feita, a pista não pode ser liberada.

Essa ação "coordenada" fez com que a interdição da via levasse tanto tempo. O Instituto de Criminalística diz que só recebeu o chamado da Polícia Civil às 9h07 - quase cinco horas depois de a batida ocorrer. Após fazer fotos e colher material para análise, os peritos terminaram o serviço às 10h.

Só então o Instituto Médico-Legal (IML) foi acionado para recolher o corpo de Dias, que já estava na 23 havia seis horas. Mesmo assim, o trabalho das duas equipes acabou apenas às 11h10. Foi quando agentes da CET puderam terminar de retirar os caminhões da via e liberar as duas pistas das 23 de Maio, o que só ocorreu efetivamente às 12h55.

A Polícia Científica diz que somente pode trabalhar em uma ocorrência como essa após ser acionada formalmente pela Polícia Civil. Já a Polícia Civil não confirmou o horário em que foi acionada pela PM para atuar no caso.

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