Perfil dos alvos de reclamação mudou em 20 anos​

Perfil dos alvos de reclamação mudou em 20 anos​

Casas de shows e baladas, aos poucos, foram se adequando às normas – providenciando isolamento acústico

​ ​Edison Veiga e Felipe Resk​, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2016 | 05h00

​Nos 20 anos de vigência do Programa de Silêncio Urbano (Psiu), o perfil dos locais reclamados mudou. As casas de shows e baladas, aos poucos, foram se adequando às normas – providenciando isolamento acústico. “Um grande problema hoje acaba sendo o local que não foi feito originalmente para receber uma apresentação musical, mas que tem sido usado para isso”, afirma o coordenador do programa, Luiz Carlos Pepe (confira acima o número de autuações, ano a ano). 

A analista administrativa Denise Brito, de 51 anos, mora em uma rua repleta de bares em Campos Elísios, no centro. Segundo conta, um deles, o Cantinho da Viola, localizado na frente do seu prédio, literalmente lhe tira o sono. “Não consigo dormir sem protetor de ouvido”, afirma. “Eles começam depois das 22 horas. A barulheira vai até 3, 4 horas da manhã. Não tem proteção de som”, diz Denise, que afirma já ter feito reclamações para a Prefeitura, mas que não conseguiu formalizar a denúncia nas últimas tentativas. “Quando eu informo meu CEP no site do Psiu, aparece outro endereço”, diz. A reportagem não conseguiu contato com o bar.

Cinco anos. Moradora de um condomínio no Jaraguá, zona norte, a representante comercial Lilian Maria Valerio Costa, de 41 anos, sofre com bares da vizinhança há cinco anos. “Eles fazem barulho de segunda a segunda, das 21h às 6h.”

Segundo Lilian, os bares ficam em uma área de ocupação irregular, onde os carros encostam à noite e põem o som “nas alturas”. “Ninguém consegue dormir. A gente não vive em paz”, diz. Um morador já se mudou do condomínio por causa do barulho. Outras duas casas estão à venda.

“Já filmamos, divulgamos, mas nada resolve”, reclama a representante comercial. “Fiz duas reclamações no Psiu e não deram em nada. Para a polícia, liguei várias vezes. A lei não é seguida.”

Pepe, do Psiu, conta que atualmente são 28 os fiscais que atuam no programa. Uma vez recebidas as reclamações, o órgão tem preferido primeiro advertir, para só depois ir ao local. “Nosso objetivo não é multar, mas conseguir bons resultados na diminuição do barulho e na boa convivência”, diz.

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