Perdizes tem o trânsito mais perigoso da cidade

Foram registrados 230 acidentes no DP da área até abril, aumento de 30% em relação a 2011; motos são as 'vilãs'

CAIO DO VALLE , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h02

Perdizes, na zona oeste, tem o trânsito mais perigoso de São Paulo. É o que revelam dados da Secretaria da Segurança Pública referentes aos quatro primeiros meses de 2012. No período, o 23.º Distrito Policial, que atende o bairro, tornou-se o campeão, entre todas as 93 delegacias da capital, no registro de casos envolvendo feridos em acidentes e atropelamentos. Foram 230 ocorrências, 30% a mais do que de janeiro a abril do ano passado, quando 159 pessoas se machucaram na região. Em segundo lugar, está o vizinho 14.º DP, em Pinheiros. Ali, houve aumento parecido, de 159 lesões para 227.

As explicações para o crescimento variam. O delegado titular de Perdizes, Marco Aurélio Batista, diz que mais motos estão se acidentando nas imediações. Fatores ligados à inexperiência dos novos condutores, como mudanças de faixa mal executadas, levam os motociclistas a se machucar.

"Não são acidentes com tanta gravidade", diz Batista, ressaltando que, apesar disso, a maioria dos feridos na região precisa de atendimento médico. As ocorrências são mais comuns no bairro durante o dia, assim como em Pinheiros. Na Avenida Sumaré, uma das principais de Perdizes, há uma faixa exclusiva para motos, que se torna um ponto de acidentes por imprudência de motoristas e motoqueiros.

Mas as motos não são as únicas a provocar acidentes em Perdizes. Outro funcionário da polícia que prefere não se identificar diz que o número de moradores de rua atropelados tem crescido em avenidas nas bordas do bairro, como a Francisco Matarazzo e a General Olímpio da Silveira. Essas ocorrências seriam mais frequentes no início da noite, quando o trânsito é carregado.

A presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Perdizes, Anna Claudia de Salles, explica que a existência de muitos bares e estudantes universitários com alto poder aquisitivo sempre fez do bairro uma região potencial para os acidentes de trânsito. "O fato de haver muitos cruzamentos de mão dupla sem semáforos também põe em risco pedestres e favorece colisões", diz ela, citando como exemplo o encontro das Ruas Apinajés e Capital Federal.

Semáforo. A reportagem esteve no local e constatou que a travessia é perigosa, já que as duas ruas são íngremes. Os carros descem em velocidade alta. "Neste ano, já vi três carros batidos aqui", diz a figurinista Janaína Morais, de 36 anos, que mora lá perto. Segundo Anna Claudia, os moradores pedem um semáforo no local há 12 anos. Até uma representação chegou a ser protocolada pelo Conseg no Ministério Público Estadual (MPE) em 2010, mas não surtiu efeito. Segundo a promotora Mabel Schiavo, as afirmações da entidade eram "genéricas", impossibilitando a intervenção do MPE.

Em nota, a CET informou que instalará uma minirrotatória, que "vai funcionar como um redutor de velocidade" no cruzamento. Além disso, "serão colocadas placas regulamentando a velocidade máxima em 30 km/h". Não há, porém, prazo.

Crescimento. Na cidade inteira, os casos de lesões no trânsito subiram de 8.341, no ano passado, para 8.558 em 2012, no comparativo dos quatro primeiros meses.

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