''Perdi o rumo depois do acidente''

Um dos integrantes mais engajados da associação de famílias, o jornalista Roberto Corrêa Gomes, de 55 anos, frequentemente aparece falando em nome da entidade, quase nunca do seu próprio drama. Mas sofre com a perda do irmão Mario, empresário gaúcho à época com 49 anos. "O número seis nunca combinou com nossa família. Éramos sete irmãos, sempre fomos sete", resume. "O Mario era um irmãozão. Tinha um gênio forte, era bravo, eu até chamava a atenção dele. Mas era daqueles que entravam em um ambiente falando com todo mundo, não tinha como não ser notado."

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2011 | 00h00

Solteiro e pai de dois filhos, Roberto já havia vivido outras duas tragédias pessoais nos anos anteriores ao do acidente: perdeu um sobrinho em 2005 e a mãe em 2006.

"Não tenho vergonha de dizer que faço terapia até hoje. Depois do acidente, perdi o rumo, não sabia mais quem eu era", conta. "Sou o Roberto pai de dois filhos? Sou o irmão do Mario? Sou um "parente de vítima" dando entrevista na televisão em horário nobre? A verdade é que jamais serei o mesmo."

Nem todos da família de Roberto participam das reuniões e homenagens às vítimas. "É assim mesmo. Tem gente que não gosta nem de falar sobre o assunto. Cada um assimila de maneira diferente."

As proporções tomadas pelo acidente até hoje impressionam Roberto. "Existe a perda familiar, mas também a perda em âmbito nacional. Eu vi pela televisão o avião pegando fogo. As pessoas ainda comentam, lembram do que aconteceu e do que elas estavam fazendo naquele dia, naquela hora. Aquilo marcou tanto o imaginário popular que se tornou um segundo 11 de setembro até para quem não perdeu ninguém na tragédia."

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