Perda de território fez crescer tensão entre traficantes rivais

Ao contrário do que ocorre em outras favelas de São Paulo, a situação do mercado de drogas na Favela Real Parque é mais tensa por causa da perda permanente de territórios que vêm atingindo os pontos de venda tráfico da região.

Cenário: Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2010 | 00h00

Há três "biqueiras" principais na favela, como são conhecidos esses pontos. Uma fica na parte alta, altura da Rua Conde de Itaguaí, outra na região da Avenida Paulo Bourroul e uma terceira, perto do conjunto habitacional Cingapura. Parte desse mercado já havia sido fortemente afetado pelo incêndio de setembro, quando 320 barracos foram destruídos e cerca de 1,2 mil pessoas tiveram de encontrar outras moradias na favela. Esse rearranjo forçado no território, que afetou praticamente um quarto da Real Parque, provocou perdas e ganhos em biqueiras rivais e tem estimulado forte tensão. O avanço das obras municipais ajudou a piorar o ambiente - traficantes temem perder seus negócios.

Entre as hipóteses trabalhadas pela polícia como motivação para a chacina na Favela do Real Parque, uma das principais é a vingança contra informantes que estariam denunciando traficantes recentemente presos pela polícia.

Atualmente esse tipo de tensão no mercado de drogas tem sido raro em São Paulo. Como os varejistas normalmente comercializam produtos de um mesmo fornecedor, quase sempre integrantes do Primeiro Comando da Capital, a concorrência antigamente sangrenta se apaziguou. Esse aparente equilíbrio, no entanto, não impede que surjam rusgas eventuais. Nesses casos, o procedimento costuma ser o de sempre: assassinatos.

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