'Percorro 200 km por dia. De trem, isso não seria possível'

População destaca o fato de algumas áreas terem menos transporte coletivo; hábitos também fazem a diferença

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h03

Na Semana Nacional do Trânsito, em que autoridades, especialistas e ativistas de várias partes do mundo visitaram a cidade para combater o uso do carro, citando motivos que vão dos congestionamentos intransponíveis, passam pelo alto número de acidentes e chegam ao aquecimento global, quem não abre mão do automóvel confessa, um tanto envergonhado, que só trocaria as quatro rodas por trilhos caso as condições melhorassem muito.

"Eu, quando morava na Pompeia (zona oeste), andava de metrô todos os dias. Ia de metrô ao trabalho. Agora que estou morando em Cotia (na Região Metropolitana), fiquei longe. De carro, chego mais rápido ao trabalho do que chegaria caso viesse de transporte público. Só voltaria a usar o metrô caso ele chegasse a Cotia", disse o analista de sistemas Ricardo Rodrigues da Silva, de 44 anos. "Mas prefiro o metrô, porque ele é mais rápido", garante.

Não há planos na Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos para levar a rede metroferroviária até Cotia. Pelo menos não até 2030, horizonte dos planos de expansão mais distante do governo do Estado.

Por outro lado, há quem diga que não poderia abandonar o carro nem se houvesse uma estação em cada esquina de São Paulo. "Por causa do trabalho, percorro 200 quilômetros de carro todos os dias. Vou para São Caetano, Jandira, vários lugares, visitar os clientes. De metrô isso não seria possível", afirma o representante comercial Maximiano Ortiz Júnior, de 52 anos, em um posto de gasolina.

Bagageiro. Ortiz diz que há outro motivo a considerar. "Eu ando com o porta-malas cheio de coisas para levar aos clientes. Não teria como carregar se fosse de transporte público", completa o representante.

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