'Pensei: é tiro! Levantei e saí correndo', diz vítima

Luan, de 14 anos, relata o ataque e o medo de voltar à rotina no cenário da tragédia: 'Olho para a porta o tempo todo'

RIO, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2012 | 03h02

Luan Gomes Cruz, de 14 anos, achou que fosse uma brincadeira. Viu o desempregado Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrar na turma 1083, colocar a bolsa em cima da mesa da professora, puxar o revólver 38 e apontar para a amiga Samira Pires Ribeiro, de 13 anos.

"Quando a Samira caiu, eu pensei: é tiro! Aí ele atirou no meu braço. Levantei e saí correndo", conta. Wellington atirou em Luan novamente, acertou-lhe a perna direita.

Ele ficou sete dias internado e até hoje uma bala continua alojada em seu ombro esquerdo. "Meu avô, que é ex-policial, brinca que fiquei com inveja dele."

Luan não queria voltar para a Escola Municipal Tasso da Silveira. "Eu ficava com medo de acontecer de novo." Foram os amigos que o convenceram. Hoje, diz que o mais difícil é prestar atenção às aulas. "Olho para a porta o tempo todo. O mais difícil para mim é conseguir me concentrar." Essa sensação do menino é compartilhada por muitos dos seus colegas.

A sala em que Luan estudava não existe mais. Depois da reforma, se transformou em uma passagem para o prédio anexo, que tem sala de informática, biblioteca, laboratório de ciências, auditório e sala multiuso.

Homenagem. Na próximo sábado de manhã, as famílias dos 12 adolescentes mortos no massacre da escola de Realengo vão se reunir no Cristo Redentor. "Queremos fazer um pedido de paz e lembrar nossas crianças", diz Adriana Machado, que perdeu a filha Luiza, de 14 anos, e fundou a Associação Anjos de Realengo.

Além do evento no Cristo, está prevista para sábado à tarde carreata. No domingo, haverá missa na Igreja Nossa Senhora de Fátima, próxima da escola. "Foi um ano difícil, de muita luta, muitas lágrimas", diz Adriana.

As famílias de crianças mortas e algumas de crianças feridas já foram indenizadas pela prefeitura. Os valores e os dados exatos não são divulgados. / C.T.

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