CELIO MESSIAS
CELIO MESSIAS

Presídio no interior de SP tem motim e fuga em massa

295 foram recapturados até a tarde; ao menos 1 morreu, carbonizado em canavia

Rene Moreira, Especial para o Estado

29 Setembro 2016 | 12h41
Atualizado 29 Setembro 2016 | 23h06

FRANCA - Uma rebelião que resultou em uma fuga em massa de presidiários apavorou moradores da região de Ribeirão Preto, no interior paulista, nesta quinta-feira, 29. Ela aconteceu no Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em Jardinópolis (SP), onde centenas de presos atearam fogo em uma das alas durante uma revista. Pelo menos um detento morreu carbonizado na tentativa de fuga que se seguiu – outro teria se afogado. 

A penitenciária tem capacidade para 1.080 presos e estava com 1.861. A informação inicial era de que 200 detentos teriam fugido, mas depois foi confirmado pela Polícia Militar que este número era maior e à noite ainda estava indefinido. Após incendiarem a ala pela manhã, os detentos derrubaram obstáculos, como uma grade de mais de 4 metros de altura que cercava o presídio, e correram para a Rodovia Cândido Portinari. Alguns foram recapturados ainda na pista, enquanto outros entraram em canaviais. No total, cerca de 295 presidiários haviam sido recapturados.

Segundo a secretaria, os presos estão sendo encaminhados à unidades penais de regime fechado. A Polícia Militar ainda realiza buscas nos municípios da região de Ribeirão Preto. A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (SAP) instaurou sindicância para apurar o ocorrido.

Policiais militares, com a ajuda do helicóptero Águia, efetuaram vários disparos em uma megaoperação para cercar os detentos. O fogo foi intenso nos canaviais próximos da penitenciária. Antes de as chamas serem controladas, um preso morreu carbonizado.

Afogado. Além dos que correram para os canaviais, pescadores contaram que quatro presos teriam fugido pulando no Rio Pardo, mas somente três conseguiram atravessar – um teria morrido afogado. O Corpo de Bombeiros teve bastante trabalho para apagar o incêndio e fazer buscas ao detento que estaria na água, mas o corpo não havia sido localizado até o início da noite desta quinta.

Movimento. A penitenciária fica ao lado da Rodovia Cândido Portinari, na saída de Ribeirão Preto, no sentido de Franca. Também está a poucos quilômetros da Via Anhanguera, apresentando grande fluxo de veículos e pessoas naquela região. 

A pista da Cândido Portinari ficou fechada por cerca de uma hora e motoristas que passavam pelo local registraram as cenas de busca e captura dos presidiários. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), não houve reféns e a situação foi controlada no presídio. A Tropa de Choque da Polícia Militar entrou no prédio. Os fugitivos recapturados foram levados para a penitenciária de Ribeirão Preto.

CRONOLOGIA

1952 - O Instituto Correcional da Ilha Anchieta tinha 453 presos. Todos fugiram. No motim, morreram 16 presos. 

1987 - Motim na Penitenciária do Estado, no Complexo do Carandiru, deixou 29 presos e um refém mortos. 

1992 - A invasão do Pavilhão 9 da Cadeia de Detenção pela PM resultou no massacre do Carandiru, que deixou 111 mortos.

2001 - São Paulo é palco de rebelião em série de presos comandada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC): 27 mil detentos do Estado se rebelam. O saldo: 16 mortos em vários presídios. 

2006 - O PCC assombra novamente o Estado de São Paulo, fazendo 463 reféns durante um motim que abrangeu 63 prisões por 70 horas.

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