Pela 1ª vez, testemunha protegida do governo sofre atentado

A seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio pedem investigação sobre o vazamento da identidade e localização de um homem incluído no Provita, programa federal de proteção a testemunhas, que sofreu um atentado na noite de terça-feira em Lima Duarte (MG). Desde a criação do Provita, em 1998, é a primeira vez que alguém sob proteção sofre tentativa de homicídio. As entidades vão pedir explicações à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Pedro Dantas e Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2011 | 00h00

O homem é a principal testemunha da chacina de sete pessoas por milícias na Favela do Barbante, em Campo Grande, zona oeste do Rio, em 2008. Na terça, por volta de 21 horas, ele foi com a mulher à delegacia. Segundo a delegada Patricia Souza Oliveira, ele contou que o casal andava pelo centro da cidade quando foi abordado por dois homens armados em um carro escuro. A esposa ainda disse ter sido agredida. "Ele correu, se escondeu no mato e ouviu disparos", disse a delegada. Perícia feita no local não encontrou cápsulas deflagradas. "Como não nos passaram muitos dados, fica difícil a investigação ", afirmou Patrícia.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência confirmou que a testemunha e sua mulher já foram removidos de Lima Duarte. Mas informou que, "segundo a coordenação do programa no Rio, não há evidências de uma tentativa de assassinato e o fato ainda está sendo investigado". "A eficácia do programa depende do erro zero ou a testemunha pensará duas vezes antes de colaborar", disse o procurador-geral da OAB Ronaldo Cramer. "A credibilidade da proteção à testemunha não pode ser abalada", alertou o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Chacina. A vítima do atentado identificou 18 criminosos da chacina de 2008, entre eles o ex-PM Luciano Guinâncio Guimarães, filho do ex-vereador Jerônimo Guimarães e sobrinho do ex-deputado estadual Natalino Guimarães. Em 2009, milicianos mataram mais quatro pessoas na mesma favela.

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