Pela 1ª vez, jovens estilistas italianos mostram coleção em SP

Além de divulgar novos criadores, organizadores do desfile pretendem estabelecer intercâmbio do país com o Brasil

Valéria França, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O Museu da Casa Brasileira, nos Jardins, transformou-se ontem em um grande palco de desfile para uma moda europeia diferente da convencional, muito mais inventiva e irreverente. Foram exibidos 54 modelos de roupas, assinados por 15 jovens criadores italianos, selecionados e premiados pela Accademia de Costume e di Moda, de Roma.

"Queremos fazer um intercâmbio", diz Andrea Lupo Lanzara, diretor da escola. "Além de mostrar nossos jovens criadores, ver o que se produz aqui e abrir espaço para estudantes brasileiros na Accademia." Essa turma de criadores pisou em São Paulo, pela primeira vez, na segunda-feira. Eles sabem pouco sobre o País, e menos ainda a respeito da moda brasileira. "Já ouvi falar dos sapatos da Gisele Bündchen", diz a estilista Laura Maria Grillo, de 26 anos, referindo-se aos calçados da Grendene, que a modelo já fez propaganda.

"Sempre senti falta de projetos que promovessem o intercâmbio entre jovens estilistas brasileiros e outros de várias partes do mundo, especialmente os que vêm de polos de moda, como é o caso da Itália", diz André Hidalgo, organizador da Casa dos Criadores, em São Paulo, que todos os anos exibe novatos no ramo da moda.

Todas as roupas apresentadas foram confeccionadas artesanalmente, até mesmo as aplicações, como os bordados. Os tecidos são bem mais pesados do que se costuma ver por aqui nas passarelas da Casa dos Criadores. Laura, por exemplo, trabalhou com pele de raposa. Alemã radicada na Itália, a estilista fez um curso de especialização em pele, em Toronto.

Outra estilista da Accademia, Valéria Onnis, de 27 anos, usou o feltro de lã e buclê para construir roupas inspiradas na arquitetura. O que se viu foram modelos estruturados, com formas marcadas, que levam a uma visão em terceira dimensão da roupa. "Eles lembram muito os jovens das faculdades brasileiras, ainda entregues à moda conceitual", diz Hidalgo. "É a hora para isso, antes que a realidade comercial bata à porta de cada um."

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