Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Pela 1ª vez, Estado de SP não tem regiões na fase vermelha da quarentena

88,3% da população de São Paulo está na fase amarela, incluindo toda a região metropolitana

Priscila Mengue e Renato Vieira, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2020 | 13h47

O Governo do Estado divulgou nesta sexta-feira, 21, uma nova atualização da classificação em fases das regiões e sub-regiões do Estado no Plano São Paulo, de reabertura econômica e flexibilização da quarentena. Pela primeira vez, nenhuma área está na fase 1 (vermelha), a mais grave, o que significa que todos os 645 municípios paulistas podem permitir a reabertura, com restrições, do atendimento presencial em comércios e serviços não essenciais.

Com melhora nos indicadores da avaliação, as regiões de Registro e Franca saíram da fase vermelha. Além disso, com a migração da região de Barretos e de duas sub-regiões da Grande São Paulo para a fase 3 (amarela), todos os municípios da região metropolitana estão nessa fase, que permite uma série de flexibilizações, como o funcionamento de shoppings, bares e comércio de rua por 8 horas diárias

"Esse é um resultado muito importante, uma conquista de todos", disse a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen. Duas regiões tiveram, contudo, piora nos indicadores, que consideram ocupação de leitos de UTI, óbitos e casos. "Tivemos também que endurecer as medidas restritivas em duas regiões que apresentaram alta nos seus indicadores, a diretoria regional de Marília e de São João da Boa Vista."

Segundo o governo estadual, a mudança significa que 88,3% da população paulista está na fase amarela. Essa foi a 11ª classificação desde 27 de maio. Durante coletiva de imprensa, no Palácio dos Bandeirantes, o vice-governador, Rodrigo Garcia, ressaltou que os dados positivos “devem ser registrados com muita prudência, com cautela, com atenção”. Além disso, o Estado anunciou a prorrogação da quarentena até 6 de setembro. 

Secretário diz que Estado saiu do platô e intensifará fiscalização para uso de máscaras e distanciamento

O Estado tem 735.960 casos e 28.155 óbitos confirmados para o novo coronavírus. A taxa de ocupação de UTI é de 56,8%, média que chega a 54,8% na Grande São Paulo. "O Estado de São Paulo já está saindo do platô da doença", afirmou o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn. "Isso não quer dizer que já vencemos o covid no nosso meio. Nós conseguimos controlar. Nós precisamos da vacina disponível para que possamos, aí sim, voltar ao nosso normal."

Ao todo, 5.166 pacientes internados em UTI com suspeita ou confirmação da doença na UTI, número que chega a 6.823 para leitos de enfermaria. A projeção feita pelo Governo prevê atingir até 970 mil casos e 36 mil mortos em agosto. Ainda segundo o Estado, São Paulo teve redução de 3% nas internações e 16% de óbitos na última semana em relação à anterior.

Na coletiva, Gorinchteyn ainda anunciou que será intensificada a fiscalização para o do uso de máscara e das medidas de distanciamento. Ao todo, mais de 200 fiscais acompanharão o cumprimento das determinações. A multa para a não utilização de máscara em local público é de R$ 500

É preciso manter distanciamento e Estado tem cenários diferentes, dizem especialistas

Para Celso Granato, infectologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), isso não significa que a quarentena deve ser mais relaxada, porque o Estado é heterogêneo e há regiões em situações diferentes. No caso da capital, ele estima que 40% da população tenha tido contato com o vírus. “A gente não deve estar muito distante da imunidade de rebanho, mas no interior não me parece que esteja elevado. Por isso o interior deveria fazer uma liberação mais lenta”. 

Já Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, afirma que o Plano São Paulo mudou os critérios de classificação e fez com que municípios que ainda têm números altos pudessem ir para outra fase. Alves também diz que o Estado ainda não chegou no chamado platô, porque a curva de casos e mortes em São Paulo nunca parou de crescer.

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