Pela 1ª vez, conselhos de bairros têm eleição

1.125 pessoas serão eleitas com a missão de discutir políticas públicas nas subprefeituras

ADRIANA FERRAZ , DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2013 | 02h01

A Prefeitura de São Paulo promove no próximo domingo a maior eleição administrativa já convocada na capital para a formação de um conselho composto por integrantes da sociedade civil. Com representação em cada uma das 32 subprefeituras, os conselhos participativos reunirão pela primeira vez 1.125 pessoas com a missão de discutir políticas públicas regionais.

A lista de candidatos tem 2.855 nomes dos mais variados setores. Há movimentos de moradia e saúde, líderes de igrejas, ONGs e aliados de vereadores. Esses, em especial, buscam, além de um trampolim político, ocupar e ampliar o reduto de seus padrinhos.

A campanha recebe apoio direto dos 55 titulares da Câmara Municipal. Os parlamentares não apenas indicaram nomes como ajudaram na divulgação. Mas o caráter político da eleição não incomoda a gestão de Fernando Haddad (PT). Pelo contrário. A integrantes da equipe, Haddad tem dito que espera ver despontar futuras lideranças regionais que, um dia, possam alcançar o cargo máximo de uma subprefeitura.

Já o líder do PSDB na Câmara, o vereador Floriano Pesaro, teme que o conselho acabe se transformando em "uma espécie de subcâmara governista", caso o PT consiga eleger grande número de indicados. "Se isso acontecer, o que vamos ver é um monte de companheiros dizendo 'amém' para o governo."

A maioria dos locais de votação fica em áreas periféricas, onde há forte influência do PT, o que reforça a tese de Pesaro. Além disso, um decreto publicado no mês passado permite que um morador da Lapa, por exemplo, na zona oeste, possa votar em um candidato de Parelheiros, no extremo sul. Segundo a Prefeitura, a mudança foi uma recomendação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), uma vez que as zonas eleitorais de São Paulo não coincidem com a divisão territorial da cidade - 35% dos eleitores não votam no distrito onde moram.

Responsável pela organização da eleição, o secretário municipal de Relações Governamentais, João Antonio (PT), diz que "o conselho deve ser o retrato da sociedade local". "Se ela é ligada a um determinado partido, vai levar isso ao conselho." O que preocupa, segundo João Antonio, é que determinados grupos dominem as pautas de discussão. Só na área do Ipiranga, há 25 candidatos de um único movimento de moradia. "Isso pode desvirtuar o conselho."

Custo. O processo de escolha dos candidatos custará R$ 7,2 milhões. Para votar, basta digitar o número do candidato na urna eletrônica. Cada eleitor pode votar em até cinco candidatos. O número de eleitos varia de acordo com a subprefeitura. As que ganharão mais representantes são Itaquera, Capela do Socorro, Campo Limpo e M'Boi Mirim. Cada uma terá um total de 51 conselheiros. A posse será dada no dia 25 de janeiro.

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